Fiesp ameniza decisão de usar recursos da privatização para quitar dívida
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Denise Carvalho 
São Paulo, 27 (AE) - Para a indústria paulista, a determinação de destinar a receita da privatização das geradoras federais de energia para pagamento de dívidas públicas significa que o Brasil perdeu uma batalha, mas não a "guerra". A opinião é do coordenador do Grupo de Política Industrial da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Jeha, que defende a utilização de parte dos recursos originários dos leilões das elétricas em áreas sociais, pesquisa e tecnologia, infra-estrutura e para o desenvolvimento da produção e exportações.
Segundo Roberto Jeha, o presidente Fernando Henrique Cardoso deve aproveitar as condições de seu segundo mandado para inverter os rumos da política, priorizando, desde já, o desenvolvimento econômico e social do País. "No fim do mandado, não vai haver reeleição. Por isso, se o presidente quiser eleger o sucessor, terá de tomar outras atitudes", avaliou Jeha.
Para o empresário, o governo ainda tem três anos para realizar mudanças. "Hoje, o Brasil conta com componentes macroeconômicos melhores, então, deve cuidar das questões do desemprego, saúde, educação e política industrial", disse. Jeha acredita que o País pode começar a investir com mais firmeza em projetos de construção civil, que, diz ele, atende a demanda social, por exemplo, empregando mão-de-obra menos qualificada na construção de casas populares.
A decisão de continuar resgatando dívida pública com dinheiro das privatizações foi discutida esta semana no Palácio do Planalto, em reuniões para tratar da transferência do comando da venda do setor elétrico federal do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o Ministério de Minas e Energia. A equipe econômica do governo conseguiu evitar a possibilidade de repartir os recursos arrecadados com as privatizações para outros fins, segundo havia admitido semana passada o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias.


