Fiergs: suspensão de repasse a montadoras gera apreensão
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de março de 1999
por Sergio Bueno 
Porto Alegre, 22 (AE) - O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Dagoberto Lima Godoy, disse hoje que a entidade ficou "muito apreensiva" com o anúncio de suspensão de repasses do governo gaúcho para a implantação de fábricas da General Motors e da Ford no Estado. Segundo o dirigente, a medida "põe em risco" os empreendimentos de grande importância para o "desenvolvimento sócio-econômico do Estado", especialmente o da Ford, cujas obras estão em fase preliminar.
Falando de Brasília, onde participa de uma reunião ordinária da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Godoy disse que a eventual quebra dos contratos incentivos fiscais e financiamentos firmados pela administração anterior ameaça a "credibilidade" do Estado como "instituição e como nação gaúcha". Conforme o presidente da Fiergs, não apenas esses dois empreendimentos ficam ameaçados, mas todos os investimentos futuros que poderiam ser feitos no Rio Grande do Sul, ajudando-o a enfrentar o "espectro" do desemprego. Godoy disse que tomou conhecimento da decisão do governador Olívio Dutra (PT) pelos jornais e ainda espera uma informação oficial a respeito do assunto. "Espero que tudo seja um mal-entendido", comentou. Ele considera uma atitude como esta um "retrocesso" porque o Estado perderia sua condição de mercado atrativo para investimentos internacionais.
No final de semana, o governador anunciou que irá suspender o repasse de R$ 400 milhões em empréstimos e obras de infra-estrutura que ainda estão previstos nos contratos com as duas montadoras. No ano passado, ambas já receberam outros R$ 450 milhões. O PT sempre criticou as vantagens concedidas às empresas pelo ex-governador Antônio Britto (PMDB) e a decisão de Olívio foi amparada em supostas irregularidades contratuais apontadas pela Procuradoria Geral do Estado (PGE). Os recursos serão direcionados para setores considerados prioritários pelo governo, como agricultura, educação, saneamento e micro e pequenas empresas. Procurado pela Agência Estado, o gerente de Relações Institucionais da GM no Estado, Marco Antônio Kraemer, disse que a empresa não se manifestaria. De acordo com ele, uma reunião que deveria ocorrer esta semana entre a direção da companhia e o secretário de Desenvolvimento gaúcho, José Luiz Vianna Moraes, poderá ser suspensa. A Ford também foi procurada mas até agora sua assessoria de imprensa ainda não deu resposta à solicitação de entrevista. Hoje à tarde, o secretário Moraes deverá falar à imprensa.


