Porto Alegre, 17 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso está abrindo um "espaço perigoso" para a influência do senador Antônio Carlos Magalhães e pagando com a elevação dos índices de reprovação popular ao seu governo. A avaliação foi feita hoje pelo presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Francisco Renan Proença, para quem a coordenação política do governo federal é "falha".
"A população entende a situação como falta de autoridade do presidente", disse Proença. Na opinião dele, Fernando Henrique fez "muitas concessões" para negociar com o Congresso a possibilidade de reeleição. "Ele negociou demais; foi um equívoco", afirmou.
O presidente da Fiergs disse que o empresariado preocupa-se com a acentuada queda da popularidade de Fernando Henrique, apurada pelas últimas pesquisas de opinião. O "clima" político do País interfere diretamente nos negócios, alterando níveis de investimentos e consumo, explicou. "É urgentíssimo parar esta queda", afirmou.
Logo após a abertura da 23ª Reunião do Programa Gaúcho de Qualidade, Proença afirmou que o presidente da República deve assumir o "comando" do governo e utilizar melhor seus mecanismos de "marketing" para divulgar fatos positivos. "Não é o presidente do Congresso (Antônio Carlos Magalhães) que deveria anunciar o congelamento da gasolina", exemplificou.
O presidente da Fiergs reconheceu a existência de recessão interna, mas disse que o quadro "não é tão ruim como está sendo pintado" pelos meios de comunicação. "Um momento de questionamento da popularidade do presidente é propício para notícias ruins", comentou.

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