Fiel à cartilha do FMI, Parente assume ministério para ajuste
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domingo, 28 de março de 1999
Por Liliana Enriqueta Lavoratti 
Brasília, 29 (AE) - Com a nomeação de Pedro Parente para o Ministério do Orçamento e Gestão, o governo pretende melhorar as expectativas dos investidores externos e recuperar a credibilidade do programa fiscal, na avaliação de observadores do setor privado. A medida sinalizaria a disposição de fazer o ajuste fiscal - alcançar o equilíbrio das contas públicas negociado com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
"A partir de agora não tem mais desculpa. A equipe econômica passou a ocupar todos os espaços importantes das finanças do governo federal", afirmou a mesma fonte. Os antecessores de Parente no cargo eram identificados com os chamados "desenvolvimentistas", que privilegiam o crescimento em detrimento do ajuste fiscal. Essa opção do presidente Fernando Henrique Cardoso era interpretada como uma falta de convicção sobre a austeridade.
Apesar de não exercer poder direto sobre o caixa do Tesouro Nacional, que é o órgão executor dos gastos públicos federais, cabe ao Ministério do Orçamento e Gestão definir o nível dos gastos de cada ministério e órgãos da administração indireta. Além disso, Parente é próximo do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e tem sido o coordenador dos programas de ajuste fiscal no governo e também junto a governadores. Parente vai imprimir outro ritmo no ministério do Orçamento e Gestão, até aqui um órgão de assessoria da Fazenda.
Funcionário de carreira do Banco Central, Parente já atuou na área para a qual foi nomeado - foi secretário de Planejamento no governo Collor e trabalhou vários anos na montagem da atual Secretaria do Tesouro Nacional, o que lhe dá agora um amplo trânsito no campo das finanças federais. Considerado um dos técnicos do governo federal que mais domina a filosofia do Fundo Monetário Internacional, empregada por ele na concepção do acordo de refinanciamento das dívidas dos Estados e municípios, Parente passou dois anos em Washington, na sede da instituição, trabalhando como consultor. Ele aplicou as recomendações do Fundo para o saneamento das contas públicas em vários países - Rússia e Angola, entre outros.


