São Paulo - Desesperados com a morte da filha, de 1 ano e 6 meses, os pais, acompanhados por um grupo de evangélicos, invadiram anteontem à noite o cemitério municipal de Paulínia (126 km a noroeste de São Paulo) acreditando que orações iriam ressuscitar a criança. A polícia foi chamada e cerca de 20 pessoas foram levadas para a delegacia. Dez, incluindo os pais da menina e o pastor, ficaram presos.
Nicole Aparecida Camilo Ramos morreu atropelada pelo próprio pai, que manobrava o carro na garagem de casa e não percebeu a presença da menina. ‘‘Ele disse que estava em desespero e acreditava que o pastor, através de uma força divina, pudesse ressuscitar a filha’’, disse Tadeu Aparecido Brito de Almeida, delegado da cidade, localizada a 126 km a noroeste de São Paulo.
A fé mobilizou todos os fiéis da unidade da Assembléia de Deus na noite de domingo. Eles chegaram ao cemitério por volta das 21 horas. Arrebentaram um cadeado e entraram por uma porta lateral. O túmulo foi violado e o corpo da criança, desenterrado.
‘‘Colocaram o caixão sobre outra sepultura e começaram a orar, com a certeza de que iriam ressuscitar a criança. É incrível como todos que estavam na igreja seguiram o pastor até o cemitério’’, afirmou o delegado. ‘‘Em 24 anos de profissão, é a primeira vez que vejo um caso assim’’, afirmou.
As pessoas detidas vão responder por danos ao patrimônio, violação de sepultura e vilipêndio a cadáver, crime inafiançável. Segundo o delegado, advogados já representam os acusados. ‘‘Tenho informação de que vão entrar com um pedido de liberdade para alguns dos presos’’, disse.
Almeida disse ainda que o pastor Claudinei Batista de Paiva vai responder também por incitação ao crime.
‘‘A igreja não pode ser penalizada pelo incidente’’, disse o delegado.

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