Ibipor㠖 Cerca de 150 fiéis da comunidade católica da região se reuniram na tarde de ontem nas proximidades da estação de captação do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Ibiporã, no Ribeirão Jacutinga, próximo ao Contorno Norte, para participar da 16ª Celebração das Águas. Segundo os organizadores, a cerimônia vai de encontro com o tema da Campanha da Fraternidade deste ano: "Casa comum, nossa responsabilidade".
Isabel Diniz, agente da Comissão Pastoral da Terra, ressalta que a Igreja vive um momento de grande preocupação com questões ambientais. "A questão ecológica, que tem a água como principal elemento, sempre foi prioridade para a Pastoral da Terra. Agora, a parceria nesta luta se estendeu para toda a Diocese", contou. Para Isabel, várias encíclicas papais levam a repensar as práticas pessoais e comunitárias. "A preocupação com o meio ambiente se tornou uma questão central que deve ser tratada com respeito e cuidado", pontuou.
O pároco local, André Luís de Oliveira, contou que o lugar escolhido foi simbólico para sensibilizar os fiéis. "As pessoas precisam conhecer o processo, saber de onde sai a água quando ela abre a torneira em casa. Saber que se ela não cuidar dos mananciais, a fonte secará", alertou. O padre mencionou a relação sagrada dos povos com a água ao longo dos anos. "Os rios são caminhos que andam e que integram os povos. Essas águas, por exemplo, ligam Cambé, Londrina, Rolândia, até desaguar no Rio Tibagi. Precisamos cuidar dos nossos rios", enfatizou.
Para o pároco, a ameaça da poluição e do mau uso dos recursos hídricos é uma forma de lesar as gerações futuras. "Um exemplo é o Aquífero Guarani. Quando não cuidamos dele, estamos roubando dos bisnetos dos nossos bisnetos", argumentou. No Dia Mundial da Água, celebrado amanhã, o padre pede reflexão e ações concretas. "A mobilização nas comunidades é a melhor forma para atendermos o chamado do cuidado com a casa comum, que o papa Francisco nos pede."
O sol quente não fez com que a aposentada Angélica Aparecida de Campos, de 68 anos, desistisse de participar da caminhada em uma subida de 600 metros pela Estrada do Guarani. Com uma sombrinha, ela seguiu até o final do percurso. "Essa água é um presente de Deus, mas temos que cuidar, senão ela acaba", comentou. Quem foi ao rio para se banhar e não sabia da celebração também apoiou a iniciativa. "É muito legal ver a Igreja tomar frente nessa questão de proteger o meio ambiente", elogiou Jéssica de Oliveira, de 27 anos.

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