Fiéis celebram os 115 anos da imigração japonesa no Brasil
A cerimônia, na manhã de domingo (18), na Paróquia Imaculada Conceição, ressaltou a importância da integração cultural
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domingo, 18 de junho de 2023
A cerimônia, na manhã de domingo (18), na Paróquia Imaculada Conceição, ressaltou a importância da integração cultural
Douglas Kuspiosz - Especial para a FOLHA 

Católicos de Londrina se reuniram na manhã deste domingo (18) para a celebração de uma missa em alusão ao Dia da Imigração Japonesa. A data é uma referência ao dia 18 de junho de 1908, quando os primeiros imigrantes japoneses chegaram ao Brasil.
O padre Emanuel José de Paula, pároco da Paróquia Pessoal Nipo-brasileira Imaculada Conceição, explica que esse é um momento de integração entre a comunidade.
“Para a paróquia, é a união das pessoas. Ao mesmo tempo em que eles movimentam a fé, eles fazem com que essa integração continue acontecendo. Vieram os avós, os pais e hoje tem os filhos que estão aqui, por exemplo, e eles mantêm viva essa fé”, diz.

Esse aspecto geracional é marcante durante a celebração, que foi acompanhada por pessoas de todas as idades. “Para Londrina e para a Panib [Pastoral Nipo-brasileira], a importância é manter viva a fé e a questão cultural”, diz.
A nutricionista Tatiana Mayumi Hirooka Guerra, 44, destaca que essa celebração é importante na sua família porque seus avós são imigrantes.
“Com 13 anos eu fiz o caminho inverso: eu e minha família fomos para o Japão, moramos lá por 15 anos e, retornando agora, tenho meus filhos pequenos, e acho importante passar a cultura para eles conhecerem um pouquinho da história da imigração japonesa”, opina.
A nutricionista também ressalta o papel do processo de evangelização das novas gerações e a integração cultural. “Procuramos sempre estar nos caminhos de Deus, e procuramos sempre levar eles em eventos japoneses, eles participam das gincanas japonesas. Minha família sempre é muito ativa e passamos um pouquinho para que a cultura não morra”.
“É bem importante, porque quando nossos antepassados vieram foi muito sofrimento, todas aquelas dificuldades que eles tiveram. É bem importante a gente celebrar a imigração”, afirma a dona de casa Sandra Tungui, 53. “A fé e a religião são uma base, e precisamos estar sempre com fé e esperança, que é o mais importante.”
UNIÃO ENTRE OS DOIS PAÍSES
A união entre Brasil e Japão é evidenciada pelo aspecto da língua, já que a Santa Missa é celebrada em português com inserções em japonês, como a leitura bíblica e os cantos do Coral Akatsuki no Hoshi. Também, foram distribuídas bandeirinhas dos dois países.
O pároco conta que, na década de 1950, o arcebispo dom Geraldo Fernandes Bijos trouxe dois padres japoneses para trabalhar com a comunidade que se instalou em Londrina. Por tradição, eles não conheciam o evangelho e falavam pouco português.
“Aqui eles mantinham as tradições, a língua inclusive, até hoje mesmo temos as leituras e os cânticos em japonês. Quando era o padre Lino Stahl, ele rezava em japonês porque morou por 20 anos no Japão. Hoje temos uma grande comunidade que está buscando, todos os domingos, alimentar a fé católica”, ressalta.
CULTURA
O arquiteto Robson Naoto Shimizu, 48, que é coordenador de ornamentação da paróquia, destaca que a celebração marca, para a comunidade nipo-brasileira, os desafios dos primeiros imigrantes em terras brasileiras.
“Eles chegaram e desbravaram com grande sofrimento, não só pela diferença da cultura e da língua, mas pelo clima e pelas doenças. E eles venceram todas as adversidades, inclusive duas guerras estando fora de casa”, ressalta Shimizu. “O que os imigrantes trouxeram para nós descendentes é essa perseverança e o esforço pela excelência.”
Shimizu conta que foram levados para a missa alguns elementos ornamentais que fazem parte da cultura e da filosofia japonesa, como o ikebana, a dobradura e o incenso.
“Com esses elementos quisemos trazer que, na presença de Cristo, nós estando dentro da igreja, esses elementos simbólicos formam a nossa união, essa cooperação conjunta nesses 115 anos, para um único futuro”, acrescenta.
A técnica de laboratório Cláudia Tsuruda, 38, afirma que “é uma honra poder comemorar esses 115 anos da imigração japonesa”, e que esse é um momento de relembrar os antepassados. “É uma alegria poder comemorar aqui na nossa paróquia e relembrar a importância dos nossos religiosos em evangelizar os japoneses que vieram. E também poder comemorar isso na nossa comunidade católica aqui de Londrina”, finaliza.


