Havana, 28 (AE-ANSA) - O presidente cubano, Fidel Castro, nomeou seu melhor pupilo, Felipe Pérez Roque, de 34 anos, como o novo chanceler em substituição a Roberto Robaina que exercia o cargo desde 30 de março de 1993 e era apontado por alguns como um possível sucessor de Fidel.
O líder cubano propôs à direção do Partido Comunista de Cuba (PCC), do qual é o primeiro-secretário, e ao Conselho de Estado, que também preside, designar como novo chanceler seu colaborador mais próximo, seu melhor pupilo, um secretário particular que particiou de todas as delegações governamentais e partidárias que acompanharam Fidel em visitas de Estado e fóruns internacionais nos últimos sete anos.
Poucos funcionários do sistema cubano têm tido uma vivência tão próxima a Fidel Castro e, menos ainda, foram elogiados da maneira como fez o líder máximo da revolução ao designá-lo hoje como novo chanceler.
"Sua maturidade, sua integridade pessoal, seu caráter, hábitos de estudo e análise, busca constante e processamento de informação exigida ante cada problema e sua capacidade de elaborar e expor critérios próprios, apesar de sua idade, 34 anos, é o quadro (partidário) idôneo para desempenhar esta tarefa", argumentou Fidel Castro na proposta.
Além de elogiar a personalidade de seu mais próximo colaborador, Fidel justificou a mudança levando em conta a atual complexidade da tensa situação internacional, sua crescente importância para o futuro de Cuba e "a necessidade de um trabalho mais profundo, rigoroso, sistemático e exigente nesta esfera".
A rigor, a substituição de Robaina, que alguns preferem chamar de destituição, era um segredo mal escondido, que ficou mais evidente a partir de 24 de abril passado quando Cuba sofreu uma condenação na Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas em Genebra, votação adversa em comparação ao ano passado quando o mesmo fórum rechaçou uma acusação proposta pelos Estados Unidos.
Intempestivamente, no final de abril, Robaina cancelou uma visita oficial à Itália, França, Portugal e Espanha, e na quinta-feira, o mesmo dia de sua saída, a chancelaria anunciou um giro oficial de 1º a 8 de junho pela Venezuela, Panamá e Haiti.
Robaina, segundo a nota oficial de sua substituição, deve ser reconhecido por ter realizado "os maiores esforços para cumprir as tarefas pelas quais ficou responsável. Ele fica liberado do cargo até que lhe sejam atribuídas novas funções".
Em termos de política exterior de Cuba, entretanto, as responsabilidades estão divididas: Fidel Castro atende os asuntos com o Vaticano, o vice-presidente Carlos Lage se ocupa das relações econômicas e políticas com a Itália, Espanha, França e Canadá, Ricardo Alarcón, presidente do parlamento, é o especialista nas relações com os Estados Unidos e Robaina atendia a ásia, apesar de que a visita mais importante no ano passado à China tenha sido realizada por Raúl Castro, chefe das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) e segundo homem no poder em Cuba.
Com a designação de Felipe Pérez Roque, a chancelaria cubana adquire um novo perfil, a seis meses da IX Cúpula Ibero-americana que será realizada em 15 e 16 de novembro precisamente em Cuba. Na época, também chegarão à ilha os reis da Espanha, visita que para Fidel Castro tem tanta importância quanto a efetuada por João Paulo Segundo em janeiro do ano passado.
A decisão do líder cubano de propor o nome de seu colaborador mais próximo para a chancelaria denota também seu interesse em desenvolver uma política exterior mais de acordo com os desafios de um mundo cada vez mais globalizado, onde as regiões formam blocos e no qual Cuba não é apenas parte fundamental em relação ao Caribe, mas para a integração latino-americana.
A pergunta que fica com a mudança é por que o presidente recorre ao homem de sua maior confiança para ser o novo chanceler.
Agora, o certo é que quando o ministro do Exterior de Cuba falar, o estará fazendo na mesma linguagem de Fidel Castro e isto, para seus interlocutores, terá um valor inestimável.

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