Fidel diz que Otan promove genocídio na Iugoslávia
Havana, 06 (AE-ANSA) - O presidente de Cuba, Fidel Castro, afirmou hoje (06) que os Estados Unidos e os países da Otan estão promovendo um "grande genocídio", numa referência à guerra na Iugoslávia.
"Os Estados Unidos e os países da Otan estão envolvidos no que se pode classificar, gostem ou não, de genocídio", disse Fidel.
O líder cubano considerou que "cortar a eletricidade e a calefação em pleno inverno, em uma só noite, de um milhão de pessoas, a matança de milhares de civis, é, sem réplica possível, um grande genocídio".
O Granma, órgão oficial do Partido Comunista de Cuba, reproduziu hoje na íntegra o discurso que Fidel pronunciou na terça-feira na Universidade de Havana para dar as boas-vindas à seleção de beisebol que derrotou os Orioles de Baltimore nos Estados Unidos.
"A Europa está envolvida em um conflito perigoso para a própria Europa e para o mundo. Está se estabelecendo um precedente gravíssimo de desacato às leis internacionais e à ONU, complicando cada vez mais a situação", opinou Fidel.
O líder cubano disse ter "a mais absoluta convicção" de que a crise de Kosovo não será resolvida pela força.
"Tenho a mais absoluta convicção de que todas as tecnologias militares se despedaçam frente à vontade de resistência de qualquer povo decidido a lutar. Tenho a convicção, como temos em relação a nosso país, de que um povo disposto a lutar não será dobrado por nenhuma potência, por mais poderosa que seja", afirmou.
Fidel disse que "os agressores da Sérvia" acreditavam que se trataria de um simples passeio, uma aventura de três dias e que os sérvios depois das primeiras bombas se renderiam.
"Mas se passaram mais de 40 dias, foram lançadas milhares e milhares de bombas, e não percebemos nenhum enfraquecimento na vontade de luta, a extraordinária moral do povo sérvio em geral e do povo de Belgrado em particular", acrescentou.
Fidel Castro lembrou da intervenção dos Estados Unidos no Vietnã, onde "só se persuadiram" de sua derrota quando perderam 50.000 vidas, depois de haver matado quatro milhões de vietnamitas.
O líder cubano afirmou que os russos e os demais povos devem tirar conclusões da agressão à Iugoslávia por parte "de uma aliança militar cada vez mais arrogante, soberba e enfurecida pela resistência que não imaginaram".
"A Europa e a Otan se converteram em reféns de um fato subjetivo: nós não estamos contra ninguém, apoiamos tanto os direitos dos sérvios como dos kosovares", sublinhou.
Fidel ofereceu 1.000 médicos cubanos para assistir aos refugiados de Kosovo, Albânia e Macedônia "porque o que não tem faltado e não faltará nunca aqui (em Cuba) é o valor e nós o temos visto", concluiu ao falar perante uns 15.000 cubanos.





