Fidel diz que o mundo tem de ser salvo, mas não por ele
Caracas, 04 (AE-ANSA)- O líder cubano, Fidel Castro, disse que já não existe apenas povos, mas "um mundo e uma humanidade para salvar e libertar", numa "batalha globalizada" contra o neoliberalismo, apesar de ter esclarecido que esta missão não cabe a ele nem a Cuba.
"Essa não é nossa tarefa, é a tarefa de vocês", afirmou Fidel perante cerca de 3.000 estudantes reunidos na Aula Magna da Universidade Central da Venezuela em Caracas.
Fidel, em um discurso de cinco horas e meia, defendeu a integração latino-americana, comparou o FMI com um "beijo da morte" e disse que hoje "Cuba se sente mais forte".
Os estudantes lotaram o recinto e aplaudiram insistentemente a Fidel, enquanto outros milhares se concentraram em uma praça próxima para escutar seu discurso, transmitido por um alto-falante.
"O campo de batalha é hoje o mundo. É uma batalha globalizada. Essa criatura (o neoliberalismo) está chegando a seus momentos finais, é quase preciso fazer a autópsia", afirmou.
Fidel Castro, que realiza uma visita oficial à Venezuela por causa da posse do presidente Hugo Chávez, atacou os Estados Unidos e disse que o mundo está sob o manto e a ameaça dessa enorme superpotência".
Interrompido por músicas, vivas e gritos e apoio, Fidel dedicou grande parte de seu discurso a criticar o sistema neoliberal, mas esclareceu que não comentaria "sobre o socialismo ou o comunismo" nem proporia "leis radicais".
Ele disse que Cuba foi "a primeira trincheira da América" e que seu povo agora "será capaz de defender, inclusive, a última trincheira".
Sobre os EUA, ele afirmou que "está desaparecendo a mesa sobre a qual, objetiva e subjetivamente, se apóia esta poderosa superpotência".
Fidel Castro, ao concluir seu discurso por volta a meia-noite, retirou-se da universidade e se reuniu com um grupo de empresários venezuelanos, entre ele o presidente da Fedecámaras, Francisco Natera.





