Havana, 29 (AE-AP) - O presidente de Cuba, Fidel Castro, disse que a mãe do menino Elián González, Elisabeth Brotons, foi "praticamente sequestrada" pelo namorado e forçada a embarcar na balsa, que afundou quando se aproximava dos Estados Unidos. A denúncia, feita na noite de ontem (29) durante um congresso de economistas, contraria a versão divulgada pelos cubano-americanos da Flórida. Segundo eles, Elisabeth tentava fugir para a liberdade.
"A mãe foi levada em condições de intimidação", disse o líder cubano. Fidel também acusou o namorado dela, Lázaro Rafael Munero, que aparentemente organizou a fuga, de ser um "rufião", de quem a polícia cubana tem "uma folha corrida de mais de 100 páginas".
Segundo pessoas ouvidas pelo jornal americano Miami Herald, Munero, que dirigia um táxi na cidade cubana de Cardenas
fugiu para a Flórida em junho de 1998 e voltou para Cuba no mesmo ano, onde passou muitos meses presos.
Para Fidel, Elisabeth era uma "jovem excelente", que passou por muitos sofrimentos antes de engravidar de Elián. Ela ficou grávida sete vezes, mas perdia as crianças. "Um menino que nasceu na oitava gravidez, quanto deve ter sido desejado esse menino", afirmou o líder cubano.
Elisabeth, Munero e mais 9 pessoas morreram quando a balsa em que estavam naufragou em novembro no Estreito da Flórida. Elián, de 8 anos, conseguiu salvar-se ficando agarrado a uma câmara-de-ar até ser resgatado por pescadores americanos.
Desde então há uma disputa pela custódia do menino entre os tios-avós, que moram em Miami e que estão com a guarda provisória, e o pai, que pernanece em Cuba.
A primeira audiência na Justiça americana está marcada para 22 de fevereiro, quando estarão presentes quatro firmas de advocacia e seis advogados representando Elián. O juiz William Hoeveler disse que não há necessidade de um prazo maior para que a questão seja analisada.
Elián tornou-se um símbolo tanto para os cubanos anticastristas de Miami quanto para Havana.
Os cubano-americanos acreditam que ele foi salvo do naufrágio por milagre. "Elián é um presente de Deus, Ele o trouxe a este país", afirmou Mariana Suarez.
Para Cuba, o menino é um herói que precisa ser salvo. Ele já foi comparado ao líder guerrilheiro Che Guevara. Em todo o país, desde novembro, estão sendo realizadas diversas manifestações exigindo seu retorno. Fidel declarou que os protestos vão continuar "por 10 anos" se for preciso. "Vamos salvar Elián", gritavam milhares de crianças sexta-feira num parque de Hava. O jornal Granma, porta-voz do Partido Comunista Cubano, disse que Elián é "um símbolo dos crimes e das injustiças que o imperialismo é capaz de cometer contra um inocente".