Rio, 28 (AE) - O presidente de Cuba, Fidel Castro, atacou hoje os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) por ter bombardeado a Iugoslávia durante a crise política de Kosovo, encerrada recentemente com a retirada das tropas iugoslavas.
Na sessão de trabalho de hoje dos chefes de Estado e de governo da Cimeira, fechada à imprensa, Castro questionou a legitimidade de a aliança militar bombardear um país, segundo o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).
"Inicialmente, o previsto era que cada participante falasse apenas três minutos, mas o cubano falou por dez. Castro perguntou com que direito a Otan fazia os bombardeios e manifestou o temor de que o mesmo pudesse acontecer com nossos países", relatou o parlamentar, um dos membros do Congresso na reunião.
Representantes de países da Otan, como o presidente da França, Jacques Chirac, e o chanceler britânico, Robin Cook, não fizeram comentários.
Castro foi o último chefe de Estado a discursar. Depois, o presidente Fernando Henrique Cardoso, que presidia os trabalhos, disse que talvez na sessão reservada, logo após, alguém quisesse se manifestar a respeito.
Na parte da reunião dedicada à democracia, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que já participou de um golpe de Estado há alguns anos, mas chegou ao poder pelo voto, fez um veemente discurso em que questionou a validade do regime democrático puramente formal. "De que tipo de democracia estamos falando?", perguntou. "Na Venezuela, tivemos 40 anos de democracia de mentira: o resultado foi a pobreza de 80% da população e extraordinária corrupção." Chávez afirmou que a democracia deve ser um "cúpula de felicidade" de todos os povos. "Às vezes, me chamam de golpista, mas tenho 80% de apoio", afirmou. O presidente venezuelano lembrou que no próximo dia 27 de julho os venezuelanos elegerão uma assembléia constituinte. "Oxalá essa nossa cúpula possa contribuir para tirar o povo da pobreza." O presidente da Bolívia, Hugo Banzer, falou do empenho de seu governo para criar formas de cultivo alternativas à coca. Cook disse que é muito importante o apoio da União Européia a bolivianos e colombianos nesse esforço.

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