Fiat transfere produção do Siena da Argentina para Betim
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Por Cleide Silva 
São Paulo, 28 (AE) - A Fiat decidiu transferir temporariamente a produção do modelo Siena da Argentina para a fábrica de Betim (MG). Com a desvalorização do real, o carro importado do país vizinho a preços que variam de R$ 17,5 mil a R$ 29,7 mil ficaria muito caro e perderia competitividade no mercado brasileiro, onde compete principalmente com o Corsa Sedã, da General Motors. A produção mensal dessa linha é de cerca de 1,8 mil unidades.
Segundo a assessoria da Fiat, as versäes do Siena serão produzidas na mesma plataforma do Palio, que precisará de pequenas adaptaçäes, mas não exigirá investimento significativo. Peças como motor e câmbio continuarão sendo trazidas da Argentina. O início da produção local está previsto para fevereiro. A empresa informou também que o carro deverá voltar a ser produzido na Argentina depois que o mercado cambial se estabilizar.
A princípio, a montadora não deve contratar pessoal porque atualmente está operando com ociosidade. A fábrica de Betim está produzindo 1,5 mil veículos ao dia, embora tenha capacidade para 2,3 mil. Já a unidade argentina está dispensando 2,8 mil trabalhadores de um total de 3 mil por nove dias, a partir de segunda-feira. A empresa produz 5 mil veículos ao mês, 40% deles destinados ao Brasil.
A partir de março, os funcionários ficarão em casa 12 dias por mês, até o fim do ano, recebendo 75% dos salários. Essa medida pode ser suspensa caso o mercado argentino apresente recuperação de vendas. O governo local acaba de aprovar um projeto de incentivos para a renovação da frota de veículos velhos, a exemplo do que está sendo discutido no Brasil.
A mudança cambial já tinha levado a Fiat brasileira a suspender a importação do Bravo de duas portas e optado pela produção, também em Betim, do Brava, a versão com quatro portas que vai disputar mercado com o Astra e o Golf, respectivamente da General Motors e da Volkswagen. O carro, com lançamento previsto para julho, será produzido na mesma plataforma do Marea.


