Fiat suspende oito diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Ivana Moreira 
Belo Horizonte, 30 (AE) - A Fiat Automóveis suspendeu hoje, por um período de 30 dias, oitos funcionários diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim. Durante a suspensão, a empresa vai investigar a participação desses sindicalistas no conflito de ontem, que deixou pelo menos 17 feridos. O confronto entre policiais, seguranças da montadora, operários e sindicalistas da centrais CUT e Força Sindical ocorreu por volta das 5 horas de ontem, durante a tentativa frustrada dos metalúrgicos de parar a montadora italiana. O protesto era parte do "Festival de Greves", organizado pelas centrais para pressionar o setor automobilístico a definir um contrato coletivo nacional para a categoria.
Para liberar a Rodovia Fernão Dias, que havia sido interditada pelos manifestantes para impedir o acesso dos trabalhadores à fabrica, policiais militares usaram bombas de efeito moral e tiros para o alto. Apenas às 9 horas os funcionários da Fiat começaram a entrar para o início do expediente.
A suspensão de funcionários estáveis para investigação sobre envolvimento em falta grave está prevista no artigo 494 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). De acordo com a Assessoria de Imprensa, a direção da montadora quer saber o grau de culpabilidade dos diretores nos ferimentos provocados em 17 funcionários atendidos na unidade hospitalar interna.
Os metalúrgicos suspensos chamaram a medida de retaliação e foram às portarias da fábrica protestar. Hoje a Federação Sindical e Democrática dos Metalúrgicos de Minas Gerais enviou carta ao governador Itamar Franco (PMDB) cobrando explicações sobre a atuação da PM no ocorrido. "A quem deve obediência a Polícia de Minas?", questiona o documento. "Ao governador do Estado ou à direção das empresas multinacionais?" De acordo com a federação, a PM, além de agredir os manifestantes, sob orientação de seguranças da Fiat, impediu até a distribuição de boletins do sindicato dos metalúrgicos.
Produção - A Fiat informou hoje que o conflito da quarta-feira não provocou baixa na produtividade diária que é, em média, de 1.800 carros. Com as atividades normalizadas, a montadora comemorou hoje o lançamento do novo modelo da marca, o Bravo. Os trabalhadores foram recebidos, no início de seus turnos, por trios-elétricos. Tiveram almoço e jantar especiais e a oportunidade de participar do test-drive do carro.


