São Paulo, 20 (AE) - Um Fiat Uno da empresa Vega Engenharia Ambiental, cedido para uso da Administração Regional de Pirituba, pernoitou 27 vezes na garagem da Câmara Municipal de São Paulo nos dois primeiros meses deste ano, em nome da vereadora Maeli Vergniano (sem partido). Ela está sendo investigada por uma Comissão Processante da Câmara sob a acusação, entre outras, de usar carros e funcionários da Vega para fins particulares. O levantamento foi feito a pedido da Comissão Processante que avalia as denúncias contra Maeli.
Em abril, a vereadora utilizava carros da Vega e um motorista da empresa para serviços particulares. A empresa alugou o Uno de placa CGX-9233 em novembro de 1998. Quem retirou o carro, no entanto, foi um ex-motorista de Maeli, Elizeu Sanches. Um dos serviços de Sanches era buscar os filhos da vereadora no colégio Dante Alighieri, nos Jardins.
Indiciamento - Estes fatos deram início a um inquérito policial presidido pelo delegado Romeu Tuma Júnior, que investiga supostas irregularidades cometidas na regional, controlada na época pela vereadora. No dia 27 de abril, ela foi indiciada por peculato (apropriação indébita de bem público por funcionário público ou seus representantes) e formação de quadrilha. Maeli também foi investigada na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, no primeiro semestre. O trabalho da CPI deu origem à Comissão Processante contra a vereadora.
"A lista da garagem foi requisitada para termos mais subsídios do processo", informou a presidente da Comissão, vereadora Ana Maria Quadros (PSDB). Os membros da comissão não quiseram se manifestar oficialmente sobre o documento, mas admitem que os dados comprometem a vereadora.
Na próxima semana, o relatório final deve ser concluído e entregue no plenário da Câmara Municipal. A tendência é que ele aponte para o pedido de cassação da parlamentar. "É uma peça muito importante em um conjunto de dados sobre a atuação da vereadora", disse o relator do processo, Salim Curiati Junior (PPB). Segundo ele, a comissão levará em conta vários fatores na elaboração do relatório final, como o depoimento de Elizeu Sanches e o da própria vereadora.
Tuma Junior também considera a lista importante. "Gostaria de recebê-la para anexar ao inquérito de Pirituba", disse o delegado. "O material é uma prova de que, quando há vontade política, a Câmara consegue investigar muito bem a atuação de seus membros", disse.
Defesa - A advogada de Maeli, Tânia Nogueira, afirmou que a defesa irá pedir exame grafotécnico da lista dos carros que deram entrada na garagem da Câmara. "A vereadora nunca usou esse carro e não sabe como ele teria ido parar na garagem da Câmara", alegou Tânia. No depoimento prestado à CPI, a vereadora admitiu ter usado, "sem malícia", carros da Vega para fins particulares.
Em notas oficiais, a empresa Vega, que presta serviços de coleta de lixo à Administração Regional de Pirituba, sempre negou ter cedido automóveis e funcionários para uso particular de vereadores. Os veículos, segundo a empresa, fazem parte do contrato com a Prefeitura, que exige que a empresa coloque veículos e funcionários à disposição das administrações regionais.

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