São Paulo, 12 (AE) - O engenheiro Giovanni Coda será o novo diretor-superintendente da Fiat Automóveis, em substituição a Giovanni Razelli, que passa a exercer a função de consultor da diretoria do Grupo Fiat no Brasil. Ele estava no comando da segunda maior montadora do País desde o início de 1996.
Coda, atual responsável pelo setor ferroviário do Grupo Fiat na Itália, já atuou no Brasil no fim dos anos 80, quando comandou a Fiat Allis, subsidiária que produz máquinas agrícolas. Segundo a assessoria da empresa em Betim (MG), o próprio Razelli pediu seu desligamento da montadora.
No mercado automobilístico hoje, contudo, havia várias interpretações para a saída do executivo. Algumas davam conta de que sua substituição foi decidida pelo alto comando da Fiat na Itália.
Outras chegaram até a cogitar uma possível fusão entre a Ford e a Fiat na Europa e as mudanças no Brasil, segundo maior mercado da montadora fora da Itália, seriam uma preparação para essa associação. Nenhuma das versões foi confirmada pelas empresas.
É a terceira mudança nos altos escalões de montadoras brasileiras anunciada em pouco mais de um mês. No início de julho, o presidente da Ford, Ivan Fonseca e Silva, passou a ocupar a direção da empresa na América Latina e foi substituído por Antonio Maciel, ex-executivo do Grupo Itamarati.
O então vice-presidente da General Motors, André Beer, passou a assessorar a presidência da empresa, sendo substituído pelo diretor de Assuntos Corporativos e Exportação, José Carlos Pinheiro Neto.
Revendas - A substituição de Razelli surpreendeu os revendedores da marca. "Ficamos sabendo no fim da tarde de sexta-feira e a notícia nos pegou de surpresa, pois temos uma série de projetos em discussão com ele", disse o presidente da Associação Brasileira dos Concessionários Fiat, Rubens Carvalho.
Um desses projetos, segundo ele, é o de revisão do negócio de distribuição de veículos. "Fiquei sabendo hoje de manhã", disse Pinheiro Neto, que também preside a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) e passou o fim de semana fora de São Paulo.
Em sua gestão, Razelli conseguiu manter a Fiat com uma participação de mercado em cerca de 25%. No mesmo período, a participação da Volkswagen caiu de 34% para 30% e a da Ford de 11,5% para 9%. A GM também conseguiu manter-se com 23% das vendas de automóveis e comerciais leves.
No primeiro semestre deste ano, a Fiat vendeu no atacado 152,9 mil veículos, 22% a menos do que em igual período de 98, próximo ao da queda do mercado nacional, que foi de 23,7%. A Volkswagen vendeu 182,7 mil unidades, uma queda de 17% ante o ano anterior. Já a GM caiu 25% (141,8 mil unidades) e a Ford, 53% (50.290).

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