Fiat anuncia que poderá contratar mais se ICMS baixar
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quinta-feira, 03 de junho de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 04 (AE) - Além da contratação de 600 empregados temporários para atender ao aumento das exportações, a Fiat vai começar a reduzir o crédito do banco de horas e ainda retomará, na próxima semana, o trabalho aos sábados. Segundo o diretor de relações industriais da montadora, Osmani Teixeira de Abreu, se o ICMS dos carros baixar em todos os Estados, a empresa poderá não apenas efetivar esses novos temporários como ainda contratar mais.
Segundo Abreu, a seleção dos 600 empregados dará preferência a ex-funcionários, que deixaram a empresa nos últimos dois anos por conta da crise. A Fiat não fazia novas contratações desde outubro de 1997, quando o mercado parou por conta da crise asiática. No próximo sábado um turno inteiro vai fazer horas-extras, prática que já havia sido abandonada pela indústria automobilística, que passou os últimos meses renovando licenças e férias coletivas em razão da queda de demanda.
Os 600 novos empregados terão contrato somente até dezembro. No entanto, eles terão trabalho garantido três meses além do que os 540 mil empregados de toda a cadeia automotiva conseguiram no acordo emergencial. Abreu acredita, no entanto, na possibilidade de o programa de renovação da frota se transformar em lei ainda este ano. E isto, segundo ele, resultaria em mais contratações.
No ano passado a Fiat Automóveis terceirizou o trabalho de cerca de 10 mil empregados, o que provocou polêmica nos meios sindicais. Hoje esse pessoal, que trabalha em empresas do próprio grupo Fiat ou prestadoras de serviços operam a manutenção, a fabricação da suspensão dos carros e o recolhimento de material, entre outros. Hoje a empresa tem 11.500 funcionários diretos.
Novos contratos - A desvalorização do real fez a empresa avançar nos mercados externos, principalmente o europeu. O volume mensal de exportações vai dobrar, de seis mil para 12 mil unidades a partir do próximo mês. Isto representará cerca de 40% da produção total da montadora, em Betim (MG).
O aumento da exportação este ano se deve a novos contratos, firmados nos países para onde já seguiam os carros Fiat feitos no Brasil. O aumento da competitividade da marca no mercado externo, principalmente na Europa, leva a direção da empresa contar com um aumento de 10% a 15% no faturamento com exportações, que no ano passado somou US$ 1,058 bilhão.
O maior comprador no Exterior é o próprio país de origem da empresa, a Itália. Para lá segue quase a metade das vendas externas. O principal contrato é da Palio Weekend, que também é vendida para Alemanha, Espanha, França e Inglaterra.
A Fiat usa a Palio Weekend, que só é produzida no Brasil
para atuar no segmento de stations pequenas na Europa. Com a Marea Weekend, que é feita no Brasil e na Europa, atua no segmento de stations grandes. Outro contrato recente é o da picape Strada, lançada no final do ano passado. Os carros Fiat feitos no Brasil são vendidos em 50 países, incluindo Europa, América Central e Mercosul.
Brava - As contratações visam atender especificamente ao aumento das vendas externas. É possível, porém, que a montadora precise contratar mais no segundo semestre - se o mercado não encolher mais -, quando iniciará a produção da Brava, um novo modelo. Foi também a desvalorização cambial que levou a Fiat a optar pela produção da Brava no Brasil ao invés de importar o veículo, conforme planejado até o final do ano passado.


