FHC: Vou designar interlocutor para reforma tributária
Brasília, 23 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso, ao finalizar seu discurso, disse que o governo quer a reforma tributária e que ele vai designar um interlocutor para conduzir essa discussão. Ele disse que o governo precisa do apoio do Congresso e da sociedade para avançar nessa discussão. O presidente disse que a reforma tributária deve ser simples para poder aumentar a base tributária e combater a sonegação. Fernando Henrique defendeu impostos não declaratórios como uma boa saída, mas disse que não cabe a ele falar sobre qual o caminho é o melhor porque isso cabe ao Congresso. Ele disse que seu papel é político e que já declarou aos governadores na última reunião que ele está disposto a liderar a discussão sobre pacto federativo para delimitar as responsabilidades de cada parte (União, Estados e Municípios).
O presidente assegurou que de qualquer forma o caminho da estabilidade será continuado. "Nosso compromisso moral maior é com o povo mais pobre", afirmou. O presidente também disse que o superávit fiscal de 3% do PIB será alcançado, mas ressaltou que os cortes que decorrem dessa medida devem ser feitos nos meios e não nos fins. "Quem defende maiores cortes é porque nunca sentou em uma cadeira com responsabilidades que afetam os mais pobres", disse. O presidente lembrou que cortes mais drásticos significam menos saúde e mais doença, por exemplo. Ele observou que mesmo que o mercado defenda cortes mais profundos, o governo põe limite à essa voracidade. O presidente assegurou que o ajuste fiscal será feito. "Não tenho medo de queda de popularidade", disse. "Quem está em segundo mandato tem que pensar no País", afirmou. "O couro é duro e tenho convicções e não tenho porque mudar minhas convicções", disse o presidente.





