Bonn, 16 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a criticar em Bonn alguns movimentos ligados a questão da terra que "por princípio querem desapropriar, ocupar e criar caso". "Eu entendo que o movimento social é importante, quando força dentro de certos limites para avançar", diz FHC. "Mas quando ele deixa o seu objetivo de atender as populações e passa a ser um movimento de contestação ao sistema político ou social vigente, ele deixa de ser um movimento de reforma agrária para ser um sonho, para uma nova ordem sócio-economica. Passa a ser um movimento político que usa a boa fé dos que necessitam da terra para fazer uma agitação política", afirmou o presidente, depois de reafirmar que seu governo tem feito mais pela reforma agrária do que os governos anteriores.
Segundo ele, o governo não pode aceitar de braços cruzados as ocupações. "Isso é uma simulação de força política ou paramilitar, sem ser militar. É uma demonstração de força, e quem ganha são as lideranças", critica FHC. "Vão para o mundo todo dando a impressão de que o governo é contra a reforma agrária. Fazem estrelismo, vão para a mídia. É tão bom estar na mídia. Tudo bem, mas não é reforma agrária".

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