FHC volta a criticar restrição comercial de países ricos
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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
por Josué Leonel 
São Paulo, 19 (AE)- O presidente Fernando Henrique Cardoso, ainda durante a entrevista transmitida pela rádio Eldorado AM agora de manhã, voltou a criticar o protecionismo dos países ricos. FHC, que falou da embaixada brasileira em Roma por telefone, disse que não tem sentido que "países como os nossos, da América Latina, que fizeram grande esforço de liberalização das suas economias, enfrentem restriçao tão grande dos países ricos".
No caso da Europa, o presidente disse que a restrição é mais nos produtos agrícolas, enquanto, no caso dos EUA, as restrições afetam produtos como o aço e o suco de laranja. "Temos um mercado muito grande, podemos voltar a fechar", disse o presidente sobre a posição brasileira diante do protecionismo externo. O presidente, contudo, reconheceu que esta medida seria negativa, por provocar aumentos de preços. O presidente brasileiro disse ter conversado sobre a futura "Rodada do Milênio da OMC", que discutirá o comércio internacional em Seatle (EUA), com o presidente eleito da Argentina, Fernando de La Rua, e afirmou que deverá haver uma unidade "muito grande" entre Brasil e Argentina no Mercosul.
FHC admitiu que tem havido dificuldades no relacionamento entre Brasil e Argentina, mas atribuiu os problemas à recessão vivida pelos dois países no começo deste ano e disse que a recessão "passará" e, no Brasil, "já está passando". "Não podemos deixar que questões específicas tragam prejuízo geral", afirmou o presidente. Ainda sobre o futuro do Mercosul, o presidente defendeu que os países se imponham disciplina fiscal coletivamente e comentou proposta feita pelo economista americano Jeffrey Sachs de moeda única com câmbio flutuante para o Brasil e Argentina. O presidente disse que a proposta deve ser vista "dentro de um processo, mas é o caminho".


