FHC volta a criticar decisão do STF
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sábado, 02 de outubro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo e Gustavo Alves 
Rio, 03 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a criticar hoje a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender a cobrança da contribuição previdenciária dos servidores inativos e adicionais para aos ativos. "As responsabilidades do Estado nos novos tempos não admitem qualquer retrocesso no esforço de libertar a máquina pública de pressões corporativas; ao contrário, temos que insistir em deixar o Estado apto a responder a demandas sociais cada dia mais complexas", disse.
Fernando Henrique foi condecorado presidente de honra e sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) - instituição fundada por Dom Pedro II, em 1838, para discutir a identidade brasileira, e que funciona num prédio, no Centro, inaugurado pelo ex-presidente Emílio Médici. Além de Fernando Henrique, apenas outros dois presidentes tiveram assentos de honra na instituição: o jurista Epitácio Pessoa e o historiador Washington Luís.
Em seu discurso, o presidente afirmou que o Brasil não pode ficar "a mercê da irracionalidade do mercado", defendeu o Mercosul e criticou o debate entre monetaristas e desenvolvimentistas. "Deixemos de alimentar um debate bizantino
baseado em falsas premissas", afirmou. "Vamos nos concentrar na promoção do único crescimento que se sabe duradouro, aquele que, ao promover a criação de empregos e ampliar as oportunidades, está amparado por uma moeda estável, orçamentos equilibrados, finanças sadias e atento ao meio ambiente."
Citando os principais teóricos que pautaram a formação da identidade brasileira, entre os quais Oliveira Lima, Manoel Bonfim, Gilberto Freyre e Karl Von Martius, Fernando Henrique disse ainda que o Brasil vive um momento "determinante" de aproximação com o mundo.
"É preciso superar a mentalidade defensiva, excludente e auto-protetora que caracterizou o pensamento brasileiro por tanto tempo", criticou. "Não será assim que superaremos o que ainda resta no nosso País, para usar categorias do nosso Oliveira Lima, de atrasado, incompleto e provisório." Depois da cerimônia no IHGB, o presidente seguiu para o jantar comemorativo dos 100 anos da Brascan Brasil, incorporadora de origem canadense, no Museu de Arte Moderna, no Aterro do Flamengo. Antes do jantar, ouviu um recital dos solistas da Orquestra Sinfônica Brasileira e, em seguida, fez um pequeno pronunciamento.
"O Brasil é outro hoje", afirmou, ao lembrar que a Brascan está voltando a investir em infra-estrutura como no início de seu funcionamento no Brasil, quando a empresa fundou a Light, companhia de eletricidade que atua em São Paulo e no Rio. "As condições da nossa economia permitem outras inserções da Brascan."


