FHC vê resistência da Aeronáutica às mudanças
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quinta-feira, 23 de dezembro de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 22 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu manter o ministro da Defesa, Élcio álvares, no cargo, a qualquer custo, apesar do desgaste sofrido por ele em decorrência da crise na Aeronáutica, que resultou na demissão do brigadeiro Walter Bruer. Fernando Henrique, que confia em álvares e na sua integridade, acredita que, por trás de toda essa crise, há uma reação às mudanças na política de governo que
conforme garante, serão levadas adiante no menor prazo de tempo possível.
O projeto criando a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), foco de atrito do ministro com o comandante demitido, já foi concluído pelo ministério e agora está em fase de avaliação jurídica, devendo ser encaminhado ao Congresso o mais rápido possível. A orientação do Planalto é para que a Casa Civil, tão logo receba o projeto, dê prioridade na sua avaliação para que o envio do projeto para discussão seja imediato.
O Exército e a Marinha, que se colocaram ao lado de álvares desde o início da crise na Aeronáutica, o que irritou profundamente os brigadeiros, vão esforçar-se para fortalecer o ministro e segurá-lo no cargo. O próprio brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, novo comandante da Força Aérea, prometeu colaborar nessa empreitada. Nas diversas entrevistas que vem concedendo à imprensa, o brigadeiro tem feito questão de ressaltar que a harmonia e a integração das três Forças é fundamental. "As três Forças têm de agir conjugadas e para isso foi criado o Ministério da Defesa", disse. Motivos - Na busca de motivos para explicar porque a resistência às mudanças existem mais fortes na Aeronáutica e são pouco percebidas na Marinha e Exército, oficiais apontam o fato de que a Força Aérea é a única que tem grande parte de suas atribuições ligadas à área civil. A resistência decorre das mudanças, que vão retirar da Força atribuições e receita financeiro, com a criação da Anac e a privatização dos aeroportos. A resistência inicial a um comandante civil, dentro do Exército e da Marinha, estão praticamente superadas, na avaliação de oficiais das duas Forças.
"Já que não teremos um militar no comando do Ministério da Defesa, melhor manter o atual, que já aprendeu alguma coisa, do que ensinar novamente a um novo ministro civil", observou um oficial de alta patente.
Hoje, depois de cinco dias de tensão nos bastidores militares, a nota dos oito tenente-brigadeiros que compõem o alto comando da Aeronáutica elaborada no dia 18 (sábado posterior à demissão de Bruer), já não causou efeito. O comunicado de apoio ao ex-comandante foi lido como uma insatisfação que existe de fato, mas já deixou claro que os oficiais não cogitam de atos de insubordinação contra a decisão do presidente.


