FHC vai discutir desmatamento no Brasil
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quinta-feira, 09 de outubro de 1997
Das agências 
Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso vai receber o diretor-excutivo da WWF (Fundo Mundial para Natureza, organização não-governamental inglesa), Garo Batmananian. A entidade divulgou documento afirmando que o Brasil é o país que tem a maior taxa de desmatamento do mundo.
Batmananiam protocolou ontem pedido de audiência com FHC, confirmada pelo Palácio do Planalto, mas ainda sem data definida. Na reunião, ele vai entregar ao presidente o Mapa Mundial das Florestas, no qual estão as áreas originalmente cobertas por florestas e os desmatamentos e queimadas. A WWF sugere que o governo brasileiro faça parte do grupo de países que apóia a meta de proteger de maneira legal 10% da área de cada região. A entidade também propõe que o governo se esforce para que os projetos sobre a lei ambiental e do sistema nacional de unidades de conservação, em tramitação no Congresso, sejam aprovados.
As críticas da WWF provocaram uma reunião ministerial anteontem no Palácio do Planalto. O presidente determinou que os aliados acelerem a tramitação da lei que trata de crimes ambientais no Congresso. FHC anunciou também que no próximo mês será divulgado um documento mostrando que a situação ambiental do País é melhor do que a apresentada pela WWF.
Os resultados do estudo sobre destruição de florestas no mundo, divulgado anteontem, pela WWF, colocando o Brasil como o campeão em desmatamento, não surpreendeu o coordenador da operação Guerra às Queimadas, Sildomar Abtibol. A situação do desmatamento na Amazônia requer que as autoridades coloquem em pauta providências emergenciais, disse. O Ibama, por exemplo, tem que ser mais forte para impedir a negligência contra o meio ambiente. O que está sob ameaça é nossa floresta, riqueza também do mundo, afirmou. Segundo Abtibol, as invasões de áreas verdes para especulação imobiliária, foram, este ano, uma das causas para o aumento das queimadas em Manaus.
De acordo com Abtibol - que é subsecretário de Organização Fundiária - antes da operação a secretaria registrava, em média, três invasões na floresta virgem por dia. Uma delas ocorreu na Reserva Ecológica do Tarumã, na zona oeste. Lá os invasores conseguiram desmatar e queimar uma área de cem metros quadrados. Mas, com o auxílio da polícia, fiscais da secretaria conseguiram destruir os barracos.
Apesar das queimadas realizadas com fins imobiliários, a maior parte dos 1.450 focos de incêndio registrados no Amazonas ainda continua sendo promovida pelos fazendeiros visando a preparação do solo para o plantio.
Mesmo com a redução de 30% dos focos de queimada, a fumaça predomina no céu de Manaus. Além da poluição, a população, que necessita do Rio Negro para trafegar entre os municípios, está enfrentando a maior vazante registrada nos último 25 anos. A cota dágua chegou a 15,84 metros, 14 centímetros a mais do que no ano passado. O motivo é mais uma vez a estiagem intensificado este ano pelo fenômeno El Ni¤o. Quatro municípios estão isolados pela vazante do Rio Negro.
Preocupados com o aumento das queimadas no Norte, os superintendentes do Ibama do Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Maranhão e Tocantins, se reuniram ontem em Belém e decidiram fazer um documento com sugestões ao Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal para o combate mais radical aos destruidores da floresta. As propostas vão do melhor aparelhamento do Ibama ao aumento do valor das multas contra os autores de queimadas.


