Buenos Aires, 04 (AE) - Os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem vão reunir-se na segunda-feira, em Buenos Aires, para reforçar a idéia de prioridade das relações bilaterais entre Brasil e Argentina. O breve encontro também pretende ser uma demontração de união e força do Mercosul, não somente para o exterior como também para os setores internos do bloco comercial que nos últimos meses duvidou de seu futuro.
Além disso, o encontro servirá para dar um sinal ao mundo de que, apesar dos rumores, o Mercosul está com boa saúde. Especula-se que Fernando Henrique, em Buenos Aires, dirá que a economia brasileira está se recuperando e, simultaneamente, tentará aplacar os ânimos argentinos, estremecidos com a desvalorização do real. É uma tentativa de demonstrar aos próprios agentes econômicos brasileiros que o governo manterá o atual modelo.
Durante a reunião, Menem deverá mencionar a recém-resolvida disputa fronteiriça com o Chile, que envolvia a Geleira Continental, a última questão de limites do Mercosul. Além disso
informará Fernando Henrique sobre os últimos avanços nas negociações com a Grã-Bretanha sobre as Ilhas Malvinas. Mais: Menem comentará a política interna da Argentina, já que neste ano serão realizadas eleições e ele deixará o poder.
"Un espaldarazo (um forte respaldo) a Menem". Esta é a análise feita na Argentina sobre a visita-relâmpago do presidente brasileiro - ele chega a Buenos Aires no domingo (06) à noite e sua estada durará menos de 24 horas - a Buenos Aires. O presidente argentino está no fim do governo e a visita de Fernando Henrique é interpretada como um apoio importante. A pouco mais de quatro meses das eleições e a seis meses da posse no novo presidente, Menem já não controla o Congresso, muito menos seu próprio partido. E seus antigos aliados passaram para o bando inimigo.

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