Santiago, 16 (AE) - Os dois candidatos votaram pela manhã e ambos foram recebidos com festa por seus eleitores. "Se siente, se siente, Lagos (ou Lavín) presidente", foi o slogan mais comum em cada uma das seções onde os candidatos votaram.
Antes de sair para votar, o governista Otávio Lagos recebeu a imprensa em seu amplo apartamento, no bairro de Providência, enquanto tomava café da manhã com a mulher, Luisa Durán, e com dois de seus filhos. Conversou rapidamente com os jornalistas sentado à mesa na sala de jantar.
Lagos disse ter recebido sábado telefonema do presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, desejando-lhe boa sorte na eleição. Fernando Henrique e Lagos são amigos e se conheceram quando o presidente brasileiro morou no Chile.
Lagos disse ter recebido telefonemas de outros dois presidentes latino-americanos, Fernando de la Rúa (Argentina) e Hugo Sanguinetti (Uruguai), também desejando-lhe boa sorte. O candidato da oposição pela Aliança pelo Chile, Joaquín Lavín, disse não ter recebido nenhum telefonema de presidentes latino-americanos.
O último conflito entre os comandos dos dois candidatos ocorreu por causa do pagamento de transporte para eleitores feito pelo governo. Os partidários da oposição afirmam que o governo gastou 200 milhões de pesos (US$ 384 mil) para transportar eleitores. O governo se defende afirmando que o pagamento do transporte é uma obrigação legal do governo para os moradores das áreas isoladas.
Lagos reagiu às perguntas sobre uma possível vitória por uma margem estreita de votos afirmando que "não há votação estreita - ou se ganha ou se perde". Afirmou ainda que não acredita que o crescimento da direita no Chile represente alguma tendência para a América Latina. "A direita cresceu porque as eleições ocorreram num momento de crise econômica. Meu adversário não foi Lavín, mas o desemprego, que chegou a 12%", disse o candidato do governo. No primeiro turno, Lagos, que era favorito no início da campanha, ganhou por uma diferença de apenas 31 mil votos, com 47,96% das preferências, em comparação aos 47,51%, de Lavín.
O candidato do governo saiu por volta das 9h30 de casa para acompanhar sua mãe, Ema Escobar, que votou no Estádio Nacional. Foi montado um forte esquema de segurança para protegê-lo. Depois, por volta das 11h, votou no Liceu Comercial A26, na área central de Santiago, em meio a uma grande confusão - causada por eleitores que pulavam e gritavam seu nome e um grande número de jornalistas.
O candidato da Aliança pelo Chile, Joaquín Lavín, votou às 10h55 na Escola Italiana, em Las Condes, área de Santiago da qual foi prefeito. Usando uma camisa amarela e uma calça esporte azul, Lavín disse estar mais otimista do que no primeiro turno.
Lavín acompanhou a mulher, Maria Estela, ao Centro Comunitário Padre Hurtado (seção que recolhia apenas voto feminino), onde foi recepcionado por uma multidão entusiasmada de mulheres. Manifestou otimismo, mas procurou ser prudente. Perguntado sobre se representava uma direita nova ou apenas a direita antiga com uma nova roupagem, Lavín respondeu que "no Chile esses conceitos de direita e esquerda estão ultrapassados, vota-se no candidato que pode resolver melhor os problemas das pessoas".
Esperando a chegada do candidato, estavam vários grupos de senhoras que afirmavam que Lavín fez muito pelo bairro de Las Condes, principalmente pela segurança pública, maior preocupação do bairro.
Lavín cumprimentou com beijos as senhoras que gritavam seu nome e carregou até mesmo um cachorrinho de um eleitor, Marcelo Villella, que gritava seu nome. O eleitor elogiou a administração de Lavín na prefeitura, e disse esperar que o candidato pudesse também resolver problemas como o desemprego.
Na saída da escola, uma senhora com um carrinho de bebê, solitária em meio à multidão de lavinistas, xingou o candidato.
A preocupação com a excessiva proximidade de votos entre os dois candidatos não assustou o responsável pelo tribunal eleitoral no segundo turno, Juan Ignácio Garcia. "É preciso desdramatizar esses resultados estreitos e esperar os resultados oficiais." (T.B.)