FHC sugeriu renúncia a Cubas
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domingo, 28 de março de 1999
Por Edson Luiz 
Brasília, 29 (AE) -O presidente Fernando Henrique Cardoso chegou a sugerir ao ex-presidente do Paraguai, Raúl Cubas, que uma das opções para a manutenção da democracia em seu país seria a renúncia. A conversa entre os dois aconteceu algumas horas antes de Cubas deixar o governo, na noite de domingo.
Hoje (29), em nota oficial, o governo brasileiro fez um apelo para que todos os grupos políticos e as Forças Armadas paraguaias mantenham respeito às leis e a confiança na Justiça. Segundo avaliação de fontes do Itamaraty, a crise no Paraguai está caminhando para a normalidade, mas não está totalmente resolvida.
Durante a crise, e principalmente nos dois dias anteriores à renúncia de Cubas, o Brasil manteve uma posição neutra. O embaixador brasileiro Bernardo Pericás chegou a ser procurado por vários setores políticos do Paraguai, mas preferiu discutir a questão com seus colegas diplomatas dos países integrantes do Mercosul, além da Espanha e Estados Unidos.
O presidente brasileiro, entretanto, segundo fontes do Itamaraty, colocou para Cubas que a renúncia ajudaria a normalizar a democracia no país. "Mas, em nenhum momento o Brasil tomou partido de qualquer um dos lados", ressaltou um diplomata brasileiro que acompanhou a crise no Paraguai. "Era preciso tomar atitudes que evitasse o derramamento de sangue", acrescentou a fonte. Durante a semana passada, Cubas e Fernando Henrique Cardoso já haviam tido outras conversas sobre o problema.
Apesar de o governo brasileiro não ter detectado nenhum indício de golpe no Paraguai, havia a possibilidade de uma grande convulsão social. "Houve um temor quanto à ruptura institucional", avalia o diplomata, observando que isso poderia causar uma situação de descontrole em todo o país. "Falava-se até em guerra civil no Paraguai e, qualquer pequeno erro, poderia resultar em um banho de sangue".
Na nota oficial comentando a renúncia de Cubas, o governo brasileiro, pede que os paraguaios encontrem o caminho da normalidade.
"Neste momento em que o país está de luto pela morte do vice-presidente Luiz Maria Argaña e dos jovens que caíram em resultado da violência que se desencadeou nos últimos dias, ressaltamos a importância de que a nação irmã do Paraguai encontre rapidamente o caminho da paz, da reconciliação e da tranquilidade, dentro do respeito à Constituição e às leis, e com a manutenção pelna da inconstitucionalidade", diz a nota.
No comunicado, o Brasil oferece apoio ao novo presidente do Paraguai, Luiz González Macchi, presidentre do Senado e ressalta que o país teve maturidade para superar a crise. "A maturidade política demonstrada, mais uma vez, por essa nação dá-me a certeza de que o Paraguai saberá lograr a concórdia e a consolidação democrática, para prosseguir no caminho da paz e do desenvolvimento, em estreita cooperação com seus sócios do Mercosul".
Para a diplomacia brasileira, a manutenção do general Lino César Oviedo fora do Paraguai - ele está na Argentina - ajudará a evitar novos confrontos e acirramento dos ânimos. O governo brasileiro teme que haja uma onda de retaliações, mas não teme pela presença de Raúl Cubas no Paraguai. No domingo, havia a possibilidade de Cubas voltar ao Brasil, onde estudou por muitos anos. Ele poderá tornar-se senador vitalício, conforme a constituição paraguaia.
O governo brasileiro também não quer interferir na sucessão de Cubas. Segundo fontes do Itamaraty, quem deve decidir se o senador Macchi ficará até 2003, quando terminaria o mandato de Cubas, ou se convoca novas eleições, serão os próprios partidos paraguaios.


