Brasília, 31 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso evitou hoje responder às declarações do ex-governador Leonel Brizola (PDT), que o comparou ao traidor Calabar na ocupação holandesa no século 17 e defendeu seu fuzilamento. Segundo o porta-voz da Presidência, Georges Lamazire, o presidente não tomará qualquer medida judicial contra Brizola. "O presidente não vai comentar as declarações e não tem intenção de processar", disse Lamazire.
Ontem, durante festa em Porto Alegre pelos seus 78 anos, completados no dia 22 de janeiro, conforme noticiou o Jornal do Brasil de hoje, Brizola disse que o presidente é um traidor por vender o patrimônio nacional e que se fosse responsável pelo julgamento de Fernando Henrique "votava por passar o fogo nesse sujeito".
O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, afirmou hoje que, por se tratar de um crime contra a honra do presidente
não cabe uma ação de iniciativa do Ministério Público Federal. O presidente teria de propôr uma representação via Ministério da Justiça para que o processo fosse instaurado. "O que eu posso dizer é que é uma declaração injuriosa e despropositada", afirmou Brindeiro.
O ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, repetiu uma frase do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA)
insinuando que o pedetista deveria estar bêbado quando deu as declarações contra o presidente. Parente considerou um "desrespeito à democracia". O ministro da Justiça, José Carlos Dias, classificou o episódio de "deprimente". "Como é deprimente ouvir tamanho despautério de um homem que já escreveu história", afirmou Dias.
Os líderes do governo no Congresso e no Senado, o deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), e o senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), foram à tribuna para protestar. "Mantenho o respeito pela figura histórica do Brizola, mas é deplorável sua atitude, porque entra na linha de um deputado tresloucado", disse Virgílio, referindo-se à recente declaração do deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ), que defendeu o fuzilamento de Fernando Henrique.
Para Arruda, Brizola está no "ápice da curva da decadência" ao se equiparar à Bolsonaro. "Com essas declarações, ele (Brizola) voltou as suas raízes caudilhistas e fascistas". O secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, chegou a duvidar da veracidade das declarações publicadas pelo Jornal do Brasil. "A serem verídicas, as declarações mostram um declínio mental, que é sempre uma coisa melancólica", disse Gregori.

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