FHC sempre quis Gregori no Ministério da Justiça
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segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Monica Gugliano 
São Paulo, 11 (AE) - A nomeação do advogado e amigo do presidente Fernando Henrique Cardoso, José Gregori, para o Ministério da Justiça deverá pôr um fim na alta rotatividade de titulares na pasta - uma das que mais trocaram de mãos neste governo - e, possivelmente, eliminar uma fonte de problemas na Esplanada dos Ministérios. Gregori, secretário Nacional de Direitos Humanos, é o homem que Fernando Henrique sempre quis para o cargo.
O novo ministro conta com a absoluta confiança do presidente
integra seu círculo mais próximo e mantém um bom relacionamento com o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso.
Em todas as trocas, Gregori sempre teve seu nome cogitado. Mas, por diversos motivos, inclusive o de o Ministério ter servido como moeda de troca política entre o Palácio e os partidos da base, o presidente nunca conseguiu empossá-lo.
Desde a saída de Nelson Jobim, que deixou o cargo em abril 1977 por uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), passaram pelo cargo Iris Rezende (PMDB-GO), Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Carlos Dias. Pouco menos de um mês depois de sua posse, Rezende afirmou: "O crime é muitas vezes inevitável". Mesmo causando perplexidade geral, ainda ficou quase um ano na Justiça
só saindo para disputar a eleição ao governo de Goiás, que acabou perdendo.
Mas foi com a chegada Calheiros que se tornaram claras as dificuldades em dividir algumas das atribuições da pasta com o general Alberto Cardoso. Renan, o peemedebista que consolidou o apoio de seu partido ao governo, caiu porque não sobreviveu a uma disputa com Cardoso por conta da nomeação do diretor-geral da Polícia Federal. Renan queria efetivar o então diretor interino Wantuir Jacine. O general discordava. O presidente nomeou o delegado João Batista Campelo, que, imediatamente, sucumbiu sob denúncias de ter participado de torturas. Mas, antes disso, foi constrangido por Renan, que o empossou no comando da Polícia Federal, numa solenidade que não durou cinco minutos. Estava selado o destino de Renan, que se antecipou a Fernando Henrique e pediu demissão no dia 15 de julho.
Decidido a tirar a pasta do controle peemedebista, o presidente buscou um jurista para substituir Calheiros. Tentou diversos nomes. Um deles, o advogado Manuel Alceu Affonso Ferreira, não só revelou o convite como recusou publicamente sem antes avisar ao Palácio. Acabou nomeando José Carlos Dias, advogado que ajudou a tirar muitos da cadeia na ditadura e queria mudanças radicais na legislação penal.


