Brasília, 18 (AE) - O governo Federal retoma hoje a ofensiva para garantir o apoio político à cobrança da contribuição previdenciária dos servidores públicos inativos e pensionistas. Às 18h00 o presidente Fernando Henrique Cardoso deverá reunir-se com os líderes dos partidos aliados no Congresso, segundo informou ontem o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). No encontro, o presidente deverá relatar como foi sua reunião com 15 governadores de Estado, no último sábado, quando trataram da Previdência e da crise nas finanças estaduais. Na reunião anterior entre o presidente e os líderes, estes exigiram que o governo federal buscasse o apoio dos governadores e de outros líderes da sociedade, antes de tentar mais uma vez restabelecer a desgastante cobrança dos inativos.
De acordo com o relato dos participantes da reunião de sábado, o círculo de apoio às medidas está se consolidando. O governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio, o Zeca do PT, não tinha certeza se participaria do encontro até a véspera da reunião. Sua exigência era de que fossem debatidas também as perdas de receita dos Estados com medidas federais (Lei Kandir, Fef, Fundef, entre outras).
O ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, garantiu a ampliação da pauta e Zeca compareceu ao encontro. Mas havia outro obstáculo ao cronograma do governo: conforme explicou o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa, os governadores presentes ao encontro somente poderiam falar em nome próprio, pois não tinham procuração dos outros governadores para tratar de previdência. Afinal, este assunto só chegou à agenda dos Estados quando o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a cobrança dos inativos, depois da última reunião de governadores, realizada em Aracajú (SE). Para resolver este problema da previdência, os governadores iriam se reunir em Maceió na próxima sexta-feira, e somente na segunda-feira seriam retomados os entendimentos com o governo federal. A decisão de trazer esta próxima reunião para o Palácio da Alvorada adiantou o cronograma, abrindo a possibilidade para que nesta sexta-feira já fiquem prontas as minutas das duas emendas constitucionais, que tratarão da cobrança dos inativos e da criação de subteto salarial nos Estados e nos Municípios. As duas minutas serão elaboradas por uma comissão formada pelos governadores de Alagoas, de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, e do Paraná, Jaime Lerner.
O ministro Pimenta da Veiga disse ontem que na quinta-feira fará uma reunião prévia com os governadores que não estiveram no encontro do último sábado. Segundo ele, ao fazer o convite, já pôde sentir tendência favorável, também entre esses governadores, às medidas em estudo. A questão agora será saber até que ponto os governadores se empenharão em convencer suas bancadas a aprovar as medidas, e até onde os parlamentares se deixarão convencer.
O governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio, o Zeca do PT, que considerou a reunião do último sábado do presidente presidente com governadores uma das melhores das quais já participou adiantou que conversará com os líderes de sua legenda. Mas disse que não se sente obrigado a convencê-los. Segundo ele, seu dever, e dos demais governadores, é antes de tudo o de dizer à sociedade que as medidas são necessárias. O líder do PT na Câmara, José Genoíno (SP), já adiantou ontem que em princípio é contra as medidas, e que olhará "com lentes de aumento" os projetos. E pelo menos dois dos governadores já manifestaram insatisfação com o governo, na tentativa de resolver problemas específicos de suas áreas.
O governador do Pará, Almir Gabriel, faltou à reunião de sábado para forçar o governo federal a rever demissão de aliados seus em órgãos federais. E o governador do Rio, Anthony Garotinho, que ainda não desistiu de obter melhores condições na renegociação da dívida do Estado com a União, saiu do encontro dizendo que a reunião foi perda de tempo.

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