FHC se irrita com Petrobras e reafirma: gasolina não sobe9/Mar, 18:57 Por Tânia Monteiro Enviada especial Lisboa, 09 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso reagiu hoje com muita irritação às declarações de funcionários da Petrobras, de que não seria possível segurar o preço dos combustíveis diante da alta exagerada do barril de petróleo no mercado externo. "A Petrobras não deveria nem ter declarado nada", desabafou o presidente, avisando que quem define preço dos combustíveis são os Ministérios da Fazenda e das Minas e Energia. "Cada macaco no seu galho", advertiu ele, reiterando que não haverá elevação no preço da gasolina neste semestre e que a Petrobras não comente aumentos. Fernando Henrique não gostou de ser desmentido por declarações de funcionários da empresa nos jornais de hoje, que alegavam que, apesar do Brasil ter contratos de longo prazo com fornecedores para compra do combustível, o aumento dos últimos dias obrigaria o governo a reajustar seus preços. "Não sei o que a Petrobras disse e não sei quem declarou isso", afirmou, demonstrando toda a sua indignação com a posição da empresa. "Nós fizemos um ajuste e esse ajuste foi feito em bases técnicas", justificou o presidente, ao explicar que tomou conhecimento, posteriormente, dessas bases. "Essa matéria não é uma matéria política, é uma matéria que tem de ver quais são os graus de flexibilidade que existem", acrescentou. "O que eu disse aqui é que a partir das informações havidas naquela ocasião, eu reafirmo o que me foi transmitido e assim será: não haverá necessidade de ajuste nos próximos meses. O presidente lembrou que fez a ressalva de que não é especialista em petróleo e de que era preciso examinar, mais tarde, quais vão ser as condições para que se discutisse melhor a questão dos preços. "Ontem, caiu o preço do petróleo. Vai cair? Vai subir? Não sei", comentou ele, garantindo, com veemência. "O que eu sei é que neste semestre não terá aumento.". "E a Petrobras que não comente aumentos porque (esse assunto) não é afeto a ela", declarou inconformado o presidente. "Não é decisão da Petrobras, é decisão do Ministério das Minas e Energia, com apoio do Ministério da Fazenda", concluiu, advertindo: "cada macaco no seu galho". ANP - O presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP) David Zylberstajn, que estava em Lisboa para receber o prêmio Personalidade do Ano da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, não quis polemizar com o seu sogro, o presidente Fernando Henrique, sobre uma possível alta do preço dos combustíveis por causa da alta do barril de petróleo. "Quem define preço é a área econômica com o Ministério das Minas e Energia, não é a ANP", declarou ele, mostrando sintonia com o presidente, ao explicar que a Petrobras é remunerada pelos preços internacionais, e se ela não reajusta o seu valor, reduz o encontro de contas da empresa com o Tesouro. "Mas isso vai depender muito de como vai se comportar o mercado internacional", disse ele, ressaltando que a ANP não cuida desse setor. Zylberstajn afirmou também que a ANP não fiscaliza aumentos excessivos de combustíveis nos postos de gasolina. Na sua opinião, é normal quando o governo concede um aumento, como o último de 7%, alguns postos reajustarem demasiadamente. Mas em seguida, esses preços recuam. "Aí a gente não pode fazer nada porque o mercado na bomba é livre", comentou ele, advertindo que quem achar a gasolina cara em um posto, deve procurar outro onde ela esteja mais barata. "No entanto, se alguém quiser comprar gasolina com aumento de 50%, que compre, mas aí eu vou chamar de gasolina para BO", ironizou ele, se referindo ao termo "bom para otário", surgido durante a CPI dos Medicamentos em referência aos remédios sem eficácia que os balconistas empurram para a população.

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