FHC sanciona lei que cria Abin e institui Sistema Brasileiro de Inteligência
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
Por Isabel Braga 
Brasília, 07 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou hoje a lei que cria a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e institui o Sistema Brasileiro de Inteligência. A principal função da Abin é planejar e executar ações, até mesmo sigilosas, para a obtenção e análise de dados destinados a assessorar o presidente da República e de informações de interesse do Estado.
Todas as atividades da Abin passarão pelo controle externo do Legislativo. A lei prevê a criação de uma comissão mista formada por seis senadores e deputados, incluindo os representantes dos partidos com maioria e minoria nas duas Casas
que será responsável pela fiscalização. Caberá também à Abin a elaboração do Plano Nacional de Inteligência, que terá como base os parâmetros da política nacional elaborada pela Câmara de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (Creden).
O diretor-geral da Abin será indicado pelo presidente da República e submetido ao crivo do Senado, como no caso do presidente e diretores do Banco Central (BC). O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, afirmou hoje que, se dependesse da indicação dele, o secretário de Inteligência do gabinete, general Ariel de Cunto, seria o escolhido. A Abin será vinculada ao gabinete.
A Abin fará convênios com os governos estaduais para a troca de informações, além de contatos com universidades e organizações governamentais. O primeiro projeto da Abin foi apresentado pelo general em 1996 para o aperfeiçoamento da Casa Civil. "O projeto passou um ano necessário na Casa Civil e foi encaminhado ao Congresso em setembro de 1997", comentou o general. Só foi aprovado este ano pelo Congresso.
Fernando Henrique defendeu a criação da Abin e a redefinição do papel dela em razão da democracia brasileira. Ele lembrou que, no passado, órgãos deste tipo atuaram de forma "bastante nociva" para a sociedade e que ele foi uma das vítimas dessa má atuação. "Mas o fato de ter havido desvio de função não significa que a função não tenha a sua importância e que ela não deva ser valorizada", disse. " Não se pode deixar de entender a importância dos órgãos de informação no mundo contemporâneo", acrescentou.
O presidente agradeceu, no discurso, a compreensão dos militares para com todas as mudanças que foram feitas até agora, citando o fim dos ministérios militares e a criação de um Ministério da Defesa, liderado por um civil, o ministro Élcio álvares. "Modificamos uma relação tradicional das Forças Armadas, com a plena compreensão, o apoio e a deliberação conjunta das mesmas Forças Armadas", comentou. "Isso não é fácil."


