FHC reúne-se com Malan e Serra e pede fim das brigas entre os dois ministros
por Ariosto Teixeira
Brasília, 1 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu ontem a noite, no Palácio da Alvorada, os ministros da Fazenda, Pedro Malan, e da Saúde, José Serra, com a finalidade de encerrar as divergências públicas entre os dois sobre os preços dos medicamentos e tirá-los imediatamente do noticiário político. "A questão foi resolvida, não existe mais", afirmou uma fonte do governo ouvida pela Agência Estado.
O encontro foi presenciado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente. O convite do presidente para a conversa no Alvorada obrigou Malan a adiar seu embarque para o Rio, previsto para o início da noite de ontem. No curso do episódio, Serra chegou a acusar a equipe econômica liderada por Malan de assumir posições fundamentalistas sob o pretexto de que o mercado é livre e o governo não pode abrir precedentes e restabelecer o controle de preços, mesmo em um setor de alto interesse público.
Nos bastidores da política em Brasília, trata-se de um debate que tem, como pano de fundo, o recrudescimento da disputa entre os desenvolvimentistas, que como Serra pregariam a retomada de políticas de crescimento econômico que tenham efeito imediato, e os neoliberais da equipe de Malan, que preferem conduzir com cautela a evolução do atual modelo, ainda que os resultados em termos de crescimento sejam mais modestos e moderados.
A discussão foi parar em publicações internas da Executiva Nacional do PSDB, que assumiu a posição de Serra em texto divulgado no último final de semana. No encontro de ontem, o presidente da República teria pedido aos dois ministros que evitem disputas públicas como a que vinham travando para que estas não sejam interpretadas como sinal de divergências sobre os rumos da política econômica, que segundo uma fonte oficial não existem. A preocupação do presidente com o episódio protoganizado por seus dois mais importantes ministros em torno de uma questão pontual, como é a do preço dos medicamentos, aumentou na medida em que ela passou a ser associada a supostas pretensões presidenciais de Serra e do próprio Malan em 2002.





