Brasília, 27 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu hoje o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra (PMDB), e os governadores Tasso Jereissati (PSDB), do Ceará, e César Borges (PFL), da Bahia, em jantar no Palácio do Alvorada, para tentar solucionar o impasse provocado pelas mudanças na administração dos fundos constitucionais, especialmente dos recursos administrados pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB). Ao marcar o encontro, o presidente estava disposto a neutralizar uma ofensiva dos governadores para enfraquecer Bezerra e fortalecer Tasso, que seria articulada em reunião promovida amanhã (28) pelo governador da Bahia, em Salvador. A preocupação do presidente, segundo colaboradores próximos, é que o acirramento da crise pudesse levar o governo a um novo desgaste, envolvendo outro ministro em disputas políticas, e a mobilização dos governadores pudesse chegar a uma pressão pela substituição de Bezerra.
"O governo está satisfeito com seu ministro", comentou um assessor de Fernando Henrique. Momentos antes do jantar, fontes no Planalto garantiam que um acordo seria fechado e a paz entre ministro e governador seria selada. "Ninguém aceita um convite do presidente se não estiver aberto a um acordo", ponderou a fonte.
O governador do Ceará desembarcou em Brasília disposto a exigir do presidente um compromisso do ministro de não mais interferir em assuntos internos do BNB, que está na alçada do Ministério da Fazenda e do Banco Central. "O ministro Bezerra é muito destemperado e toda vez que fala sobre seus planos para o banco prejudica sua operação", comentou um interlocutor de Tasso. Fontes com trânsito no Palácio do Cambeba, sede do governo do Ceará, sustentavam hoje que Tasso não parecia disposto a negociar e não aceita a eventual extinção do banco ou o seu uso com objetivo político.
Segundo interlocutores do governador, recuar seria um sinal de fraqueza política e o mesmo que abrir mão dos projetos de desenvolvimento da região. A tendência do governo, entretanto, é manter tudo como está: o planejamento estratégico do banco ficará a cargo do Ministério da Integração Nacional, mas será executado pela instituição, mantendo a administração dos recursos dos fundos nas mãos do BNB como querem os governadores.
O Banco do Nordeste é uma área de influência de Tasso, mas embora seja controlado pelo PSDB cearense, é responsável por 77% do crédito a empresários privados da região. Bezerra queria transformar tanto o Banco do Nordeste quanto o Banco da Amazônia em agências de fomento (sem possibilidade de captar recursos), fundindo-os com a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
A pressão contrária liderada por Tasso fez com que Bezerra recuasse e propusesse limitar em apenas R$ 1,3 milhão por empréstimo a alçada local do banco. Valores acima dessa quantia teriam de passar pelo exame do governo federal. As gestões do ministro para influir sobre a política de crédito para o Nordeste causaram uma disputa em que até os governadores do PMDB
como Jarbas Vasconcelos (PE), José Maranhão (PB) e Garibaldi Alves Filho (RN) estão contra ele. Bezerra tem recebido solidariedade apenas do presidente nacional do partido, senador Jader Barbalho (PA).
Lideranças do PSDB no Congresso insistiam hoje em negar qualquer resquício de disputa política - com vistas à sucessão municipal ou presidencial - como pano de fundo do impasse entre Tasso e Bezerra. O governador é um dos nomes do tucanato para suceder Fernando Henrique e o ministro um dos nomes do PMDB para o governo do Rio Grande do Norte.
"Trata-se da insatisfação crescente de todos os governadores com a administração dos fundos constitucionais nas mãos de Bezerra", declarou o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), aliado de Tasso.

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