Brasília, 17 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso vai reunir-se amanhã (18) com os líderes dos partidos governistas no Congresso para garantir o apoio da sua base parlamentar ao envio de uma emenda constitucional que restabeleça a cobrança previdenciária dos servidores inativos e outra que permita a criação de subtetos salariais por Estados. No sábado, ele já havia conseguido o endosso de parte dos governadores para a proposta e quer mais adesões com uma nova reunião com chefes de governos estaduais, no dia 22.
Ao contrário do que ocorreu há duas semanas, quando os aliados do presidente o dissuadiram de enviar uma emenda sem discussão prévia, desta vez Fernando Henrique deverá receber solidariedade integral e oficial. "A orientação que o PMDB dará será mobilizar a sua bancada para a aprovação das propostas", disse o líder peemedebista na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), para quem o presidente está cumprindo o compromisso de dividir decisões com a base. "Ele está seguindo o script."
A boa vontade também foi manifestada pelo presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). "O que estiver ao meu alcance para acelerar, eu vou fazer", disse, fazendo uma ressalva: "Não antes de conversar com os líderes."
De acordo com o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, o governo provou ao Congresso e aos governadores que a fase de tomar decisões isoladas já acabou. "Abriu-se um novo cenário com as últimas reuniões e as que serão feitas esta semana porque
pela primeira vez, se separou os interesses nacionais dos interesses do governo", disse Pimenta da Veiga, lembrando que o presidente irá se encontrar com outros governadores na sexta-feira.
Na avaliação dos governistas, não há certeza sobre a possibilidade de o presidente contar com o apoio de parte da oposição para aprovar a emenda no Congresso. As críticas feitas pelo governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), na saída, foram vistas com preocupação. "A tramitação das emendas terá a sua velocidade regulada pela quantidade de governadores que pretende apoiá-la", disse o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), indagando: " O Garotinho e os governadores petistas vão apoiar, ou o ônus de tudo vai ficar novamente para nós?"
O governador fluminense também irritou o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, um dos coordenadores políticos do governo. "Houve falta de civilidade política do Garotinho, já que ele devia ter posto suas ponderações durante a reunião", afirmou, acrescentando que "a emenda do subteto foi sugestão dele".
"Com o apoio de parte da oposição, a aprovação é garantida e, sem este apoio, vamos ter de quebrar as resistências que temos em nossa própria base", admitiu Geddel. Para o deputado pefelista Roberto Brant (MG), o grande trunfo com que o governo irá contar é o fato de a emenda constitucional jogar para a legislação ordinária a fixação das alíquotas de contribuição. "Tirando o fantasma do quórum constitucional sobre a fixação da alíquota, podemos fazer acordos melhores no Congresso", disse, criticando a versão anterior da proposta que foi derrubada pelo STF.

mockup