FHC responde a Itamar
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quarta-feira, 01 de dezembro de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 01 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso desmentiu hoje o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, que o acusou de tê-lo induzido a privatizar estatais, por meio de Medida Provisória. Segundo declarou o porta-voz Georges Lamazire, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) foi privatizada por Itamar Franco quando Fernando Henrique era ministro das Relações Exteriores. "O presidente lembra que, em primeiro lugar, a CSN foi privatizada pelo então presidente Itamar Franco, quando o atual presidente era ministro das Relações Exteriores", afirmou Lamazire. "E em segundo lugar, lembra que não havia nenhuma necessidade de recorrer à Medida Provisória para privatização porque, na época, o Congresso já havia aprovado legislação específica sobre privatização."
Durante seminário sobre a social-democracia, no Rio, na segunda-feira, Fernando Henrique declarou que Itamar Franco foi o principal responsável pela privatização da CSN. O presidente acrescentou, ainda, que, quando ministro da Fazenda, havia feito ressalvas à privatização de empresas que fossem símbolo, como a Companhia Siderúrgica. Irritado, Itamar respondeu avisando que faria revelações. Segundo ele, Fernando Henrique tentou privatizar estatais por meio de MP. Acrescentou ainda que, em uma dessas MPs, o atual presidente embutiu, "maldosamente", a privatização da Companhia Vale do Rio Doce. E que ele só não teria assinado porque foi alertado por sua assessoria.
Lamazire insistiu que Fernando Henrique "desmente" declarações do ex-presidente de que ele teria, como ministro da Fazenda, recorrido à MP para promover privatizações. Segundo Itamar, o atual presidente tentou enganá-lo quando era seu ministro da Fazenda. "Fui enganado em suas razões e nas idéias dele como ministro e como meu candidato (à Presidência da República)", reclamou, acrescentando que guarda minutas e medidas provisórias sugeridas por seu ministro da Fazenda como comprovação do que chamou de "capacidade de ludibriar os cidadãos" pelo sociólogo.


