Brasília, 05 (AE) - A Secretaria de Imprensa da Presidência da República divulgou há pouco carta em que responde à "Carta de Porto Alegre", assinada pelos governadores de oposição, na capital gaúcha. Esta é a íntegra:
"O Presidente da República estranha a divulgação pública e antecipada dos temas que os governadores da oposição desejariam discutir no encontro marcado para a próxima semana. Lamenta que os signatários da carta insistam em propor como agenda exclusiva para a reunião a renegociação da dívida dos Estados. O governo federal já disse e reitera que não pode solicitar ao contribuinte um sacrifício adicional porque alguns não se mostram dispostos a fazer o esforço que todos, União, Estados e municípios, deveriam realizar de modo compartilhado para pôr suas contas em ordem, assim preservar os ganhos do Real e impedir a volta da inflação.
A negociação da dívida já implicou expressiva transferência de recursos do Tesouro para os Estados, com o objetivo de ajudá-los a sanear suas finanças. Se estas forem efetivametne as propostas para o que se esperava ser um diálogo construtivo sobre o País e a situação dos Estados, cabe indagar se existe real interesse por uma conversa franca e produtiva ou apenas o propósito de transformar o encontro programado num palco político.
O presidente continua aberto ao diálogo. Mas o encontro só se justificaria se movido por um genuíno espírito de entendimento. Não se pode aceitar a tentativa de corroer as bases de sustentação do Real, conquista do povo brasileiro, a qualquer pretexto. Neste momento, o que o País espera de cada um é a coragem para assumir responsabilidade, e não um manifesto político. Brasília, 5 de fevereiro de 1999".

Após divulgar a nota, o porta-voz da Presidência da República, embaixador Sérgio Amaral, quando indagado se estava cancelada a reunião do presidente Fernanddo Henrique Cardoso com os governadores, afirmou: "É uma questão em aberto."

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