RIO - O presidente Fernando Henrique Cardoso rebateu ontem, na Conferência ‘‘Rio+5’’, as críticas feitas ao Brasil por ambientalistas que, ao longo do encontro, têm repetido que o País não cumpriu as metas de controle ambiental e despoluição recomendadas pela ECO-92.
FHC reconheceu, porém, que muita coisa não foi feita na área e duvidou da eficiência das políticas governamentais e de medidas que ele próprio tomou no setor ambiental, se estiverem desligadas da mobilização da sociedade. Segundo ele, o pessimismo, como o que marcou as análises sobre o fracasso do País em atingir as metas ambientais, é uma posição conservadora. O presidente defendeu que as organizações não-governamentais e a sociedade se integrem ao Estado no esforço para aprimorar as políticas ambientais. ‘‘Acabei de assinar uma lei proibindo a exportação do mogno por dois anos. Será que vai ser eficaz? Ou vai estimular a destruição da madeira e o contrabando? Nessas regiões, quase não há Estado’’, afirmou o presidente, lembrando que as queimadas e derrubadas de florestas na Amazônia são monitoradas semanalmente pelo governo brasileiro, que não tem condições de impedi-las.
O presidente lembrou que os processos são lentos. ‘‘Um projeto no Banco Mundial leva 18 meses para ser aprovado, no Congresso brasileiro, de três a quatro anos’’, disse FHC. Mas ressaltou a necessidade de manter uma postura que misture otimismo e realismo em relação aos problemas. ‘‘Se transformarmos tudo na fogueira das vaidades, destruindo tudo e todos, não se consegue nada’’, afirmou.

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