FHC rejeita pedido de mineiros e acusa Itamar de demagogia
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quarta-feira, 17 de março de 1999
Por Gerson Camarotti e Isabel Braga 
Brasília, 18 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso rejeitou hoje pedido da bancada do PMDB de Minas Gerais para renegociar a dívida do Estado e suspender os bloqueios de recursos. Levados pelo líder do partido, deputado Geddel Vieira Lima (BA), o encontro no Palácio da Alvorada reuniu os 14 parlamentares do PMDB mineiro, além dos vice-líderes do partido na Câmara. "A reunião não foi produtiva, já que a repactuação da dívida foi descartada pelo presidente", avaliou o deputado Zaire Rezende (PMDB-MG).
Durante o encontro de duas horas, o presidente reclamou do governador de Minas, Itamar Franco (PMDB). "Se eu quisesse, eu usaria os recursos de comunicação do governo para responder Itamar Franco", disse Fernando Henrique, irritado com a notícia de que o governador de Minas estaria organizando uma manifestação contra o próprio presidente no dia 21 de abril. "O Brasil não comporta mais essa demagogia e populismo irresponsáveis da época de João Goulart e Leonel Brizola."
Dizendo-se cansado das críticas, Fernando Henrique considerou o problema de Minas uma questão técnica e não política. "O que o presidente quer é uma negociação sem pré-condições", observou Geddel Vieira Lima.
Fernando Henrique demonstrou irritação quando o deputado Hélio Costa (PMDB-MG) questionou a habilidade do presidente em ter enviado para Minas Gerais o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga (PSDB), para ser o intermediador do governo federal. O ministro tucano é um dos principais desafetos políticos de Itamar. "Não aceito nenhum comentário ou interferência aos meus ministros", disse Fernando Henrique, batendo com a mão na mesa. "Eu também não fico me interferindo na escolha do secretariado de Minas Gerais."
O presidente disse aos peemedebistas da importância do ajuste fiscal para conseguir os votos da bancada mineira na votação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Mas a reunião com Fernando Henrique não surtiu um efeito prático. Dos 14 deputados do PMDB de Minas, seis votaram contra o governo em solidariedade a Itamar. Além disso, a deputada Maria Lúcia Cardoso não votou.
Antes do encontro, houve um desentendimento de Geddel com Zaire Rezende. Inconformado com o reduzido número de parlamentares que estariam com o presidente, o deputado mineiro ligou para boa parte da bancada do PMDB ampliando o convite. Muitos deputados acabaram sendo barrados na porta do Alvorada. "O senhor foi deselegante e inconveniente", disse Geddel. "O líder do PMDB queria reduzir o fato político em favor de Itamar exclusivamente a Minas Gerais", rebateu Rezende.


