FHC reitera indicação de Tereza Grossi em ofício dirigido a ACM
Brasília, 21 (AE) - Numa atitude inédita, o presidente Fernando Henrique Cardoso enviou hoje um ofício ao presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), reiterando a indicação de Tereza Cristina Grossi Togni para a diretoria de Fiscalização do Banco Central. Foi uma resposta a uma correspondência que lhe havia sido enviada pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), no último dia 16. O senador petista lembrava a Fernando Henrique que Grossi havia sido indiciada pelo Ministério Público por improbidade administrativa.
No ofício enviado a ACM, Fernando Henrique afirmou que divergia profundamente do ponto de vista de Suplicy. "Esclareço que li detidamente todos os dados funcionais da carreira da aludida servidora e sobre eles refleti profundamente", diz o presidente. "Nada encontrei, ali, que pudesse desaboná-la." O presidente elogia Grossi e parte em sua defesa. "Não modifica esse juízo (de que ela é uma servidora exemplar) o episódio recente da intervenção do Banco Central no mercado financeiro, em momento de excepcional incerteza quanto à conjuntura econômica nacional, vez que a Senhora Tereza Grossi sequer participou do processo decisório", afirma Fernando Henrique.
"Limitou-se sua atuação, no caso, a cumprir à risca seu dever funcional e não faltar com o dever da franqueza e honestidade quando de seu depoimento no Senado." A sabatina de Tereza Grossi estava marcada para as 17h de hoje, mas até as 18h45 não havia começado. O senador José Eduardo Dutra (PT-SE) apresentou um requerimento pedindo a suspensão da sessão onde a indicação de Grossi seria analisada pelos senadores integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
O petista queria que o Senado aguardasse a conclusão das investigações que estão sendo conduzidas pelo Ministério Público. A sessão da CAE começou com 50 minutos de atraso. Os senadores iniciaram a sessão discutindo o requerimento. O clima de tensão já era esperado pelos parlamentares governistas.
Mesmo esperando debates acirrados pela frente, eles estimavam que a indicação seria aprovada tanto na CAE quanto no plenário do Senado. A expectativa era que haveria no máximo 10 votos contrários na comissão, onde o total de integrantes é 27, e em torno de 25 votos contrários no Senado, num total de 81.
O senador Eduardo Suplicy chegou a referir-se a Tereza Grossi como "a ré". O senador Saturnino Braga (PSB-RJ ) afirmou que a indicação era "desrespeitosa" ao Senado. "O presidente Fernando Henrique jogou o relatório da CPI do Sistema Financeiro no lixo", esbravejou. O clima estava tão tenso que, ao apartar o bate-boca dos senadores da oposição com o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), o presidente da CAE, Ney Suassuna (PMDB-PB) fez o seguinte apelo: "Somos senadores da República; devemos pelo menos manter a compostura". O pedido arrancou risos dos parlamentares.





