Brasília, 09 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso reiterou hoje, por intermédio do porta-voz Georges Lamazire, o apoio político ao ministro da Fazenda, Pedro Malan. "A permanência do ministro Malan é a maior garantia de que o governo continuará, com responsabilidade, a buscar o desenvolvimento sempre mantendo o vínculo com a estabilidade", declarou Fernando Henrique, segundo Lamazire.
De acordo com o porta-voz, o presidente lembrou que Malan está no cargo de ministro da Fazenda há "quase cinco anos e tem sempre trabalhado pela estabilidade na economia". Na última semana, ao apresentar o projeto de combate à pobreza, o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), criticou Malan por nunca ter recebido pobre no gabinete. A atitude foi interpretada como um sinal de rompimento do apoio que o PFL sempre teria dado ao ministro.
Além das declarações de ACM, o ex-ministro das Comunicações e vice-presidente nacional do PSDB para Assuntos de Política Econômica, Luiz Carlos Mendonça de Barros, também atacou Malan, ao defender a adoção de uma política de desenvolvimento econômico para o País, em contraposição à de estabilidade econômica defendida pelo ministro. Ao destacar que a permanência de Malan é a garantia do desenvolvimento com o vínculo da estabilidade, Fernando Henrique voltou a afirmar "que não há desenvolvimento sustentado sem estabilidade".
O líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), também saiu em defesa de Malan. Ele disse que está errado quem prevê a saída do ministro da Fazenda por causa das críticas feitas a ele por Barros. "Cria-se uma onda errada, com custos para o País", comentou o líder, referindo-se a especulações sobre eventual saída de Malan.
O senador discordou também da versão de que ACM estaria contra a política econômica. Na avaliação de Arruda, ACM defende
além da estabilidade econômica, uma política social. "Isso eu também faço, e é diferente de discordar da política econômica como um todo", disse Arruda.
Segundo o líder do governo, "quem atravessou o Oceano Atlântico não pode morrer na praia", em referência ao esforço feito pelo país, pela estabilização, ainda inconclusa. Na visão do senador tucano, o governo brasileiro deve perseverar e completar as reformas constitucionais concluindo a reforma tributária e aprovando o projeto que cria a Lei de Responsabilidade Fiscal. "A Lei de Responsabilidade Fiscal pode dar mais dinheiro do que a (reforma da) Previdência", calcula Arruda.
O presidente preferiu enfatizar o lado positivo de previsões, como a do professor e consultor econômico, José Márcio Camargo, de uma inflação de 9,4% para o início de 2000. "O presidente fica feliz que as estimativas sejam agora de 9,4%
lembrando que, no começo do ano, a maioria dos consultores e analistas falava em inflação de 50% para 1999", disse Lamazire. "Se ficar neste número, ou num número inferior a 8% que a estimativa oficial, é realmente muito bom, é uma excelente notícia." Sobre o impacto inflacionário que uma inflação inicial de 9,4% em 2000 pode provocar, Fernando Henrique limitou-se a afirmar que "previsões são sempre um pouco imprevisíveis".
"Vamos esperar para ver, mas, de qualquer maneira, a vitória sobre essas ameaças de inflação alta foi um êxito indiscutível e reconhecido no mundo inteiro."

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