FHC reconhece em pronunciamento que o pior da crise passou
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domingo, 11 de abril de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 12 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso faz logo mais, em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, um balanço dos três primeiros meses do segundo mandato, reconhecendo que o pior da crise enfrentada pelo País, em janeiro, passou e prometendo um grande programa de habitação popular para aumentar o número de empregos.
Fernando Henrique vai dizer que continuará não medindo esforços para proteger a estabilidade e o real e destacar que a mais importante batalha contra os que atacaram o real está sendo vencida. "Este continua sendo meu principal compromisso", afirmará, ao comemorar que a inflação não chegará a 10% este ano
contrariando as previsões pessimistas.
Fernando Henrique dirá que ainda não está tudo bem e ressaltará que não se pode mais adiar soluções. "Não é mais possível que um governo, seja ele federal, estadual ou municipal
gaste mais do que arrecada, endividando-se, ameaçando a estabilidade econômica e a tranquilidade das pessoas", prossegue, mostrando que a reforma tributária está incorporada à agenda do governo. O presidente vai apresentar números mostrando os cortes que estão sendo feitos pelo s governo e o ajuste nas contas públicas.
"Estamos gastando menos e melhor." Para o presidente, essa vitória na defesa da moeda deve-se ao povo brasileiro, que está unido na defesa do real, da manutenção da estabilidade e contra a volta da inflação. "A âncora do real é o povo, que não quer de volta a carestia", afirma o presidente, acentuando que "não é hora de buscar popularidade fácil". "Para o bem do nosso povo, o momento exige pulso firme", prossegue, no pronunciamento, que terá a duração de nove minutos e 40 segundos. Na opinião do presidente, a turbulência enfrentada pelo País deve deixar uma lição: da união.
O presidente admite que o problema do desemprego é grave
mas alerta que, com a inflação, "seria muito pior", não se conseguiria atrair novas fábricas e novos postos de trabalho.
"Mas não basta só garantir a estabilidade; é preciso fazer mais e esse governo está fazendo", assegura, apresentando dados sobre os programas de treinamento e qualificação que estão sendo desenvolvidos pelo governo.
"Nos próximos 30 dias, será lançado um grande programa de habitação popular para as famílias mais pobres", anuncia, sem apresentar detalhes do projeto. FHC dirá ainda que, atendendo a sugestões dos sindicatos, serão criadas novas frentes de trabalho. Acrescentará que o aumento significativo das exportações irá gerar pelo menos novos 270 mil empregos. Outra notícia positiva a ser anunciada por FHC foi que, este ano
o País terá a maior safra de todos os tempos.
Fernando Henrique começará o discurso, gravado no sábado (10), no Palácio da Alvorada, admitindo que os problemas brasileiros não estavam resolvidos, mas explicará o que aconteceu desde 12 de janeiro, quando foi anunciada a maxidesvalorização do real. "São três meses da mais importante luta que o governo e o País já enfrentaram para defender a estabilidade e preservar o real", afirma.
"Nos últimos três meses, o real tem enfrentado a sua maior provação", observa, ao lembrar que, em janeiro, a moeda sofreu o mais intenso ataque especulativo da história dela. FHC justificará, em seguida, que, para que o pior não acontecesse, foi preciso aumentar os juros drasticamente e liberar o preço do dólar. Mas comemora a queda das taxas de juros. Ele fala ainda sobre a inflação que, contrariando as previsões pessimistas, continua sob controle - não passará os 10%, índice parecido com o do início do real e muito abaixo do que se falava antes.


