FHC reclamará de protecionismo nos EUA
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sábado, 08 de maio de 1999
Por Paulo Sotero (correspondente) 
Washington, 09 (AE) - Além de agradecer o apoio dos Estados Unidos durante a crise e reiterar aos investidores a determinação do governo de ir adiante com as reformas e consolidar a estabilidade, o presidente Fernando Henrique Cardoso deverá usar suas conversas tanto com o presidente Bill Clinton como com o secretário do Tesouro, Robert Rubin, amanhã (10), para pedir providências contra o protecionismo americano que ameaça fechar o mercado de alguns dos principais produtos da pautas de exportação para os EUA.
Especificamente, Fernando Henrique buscará um entendimento com Clinton que permita aos dois governos fazer um acordo suspensão de todas as ações em curso contra produtos siderúrgicos brasileiros nos EUA. Recentemente, Washington rubricou um acordo desse tipo com a Rússia.
Há dois tipos de ações contra o aço brasileiro nos EUA. Um refere-se aos casos nos quais as empresas americanas do setor alegam que os subsídios que o governo deu às exportações de aço antes da privatização das companhias siderúrgicas brasileiras continuam a produzir efeitos e justificam a imposição de direitos compensatórios. O outro são os casos anti-dumping, nos quais as empresas brasileiras são acusadas de exportar a preços inferiores ao custo de produção. Nas duas categorias o produto siderúrgico mais visado são as chapas, que representam um mercado de aproximadamente US$ 125 milhões , principalmente para a CSN. A Cosipa e a Usiminas também são citadas nos casos anti-dumping, mas sua participação no mercado é pequena. As compras de aço brasileiro representam menos de 1% das importações do produto nos EUA.
"Nos dois tipos de casos, os argumentos dos queixosos baseiam-se em raciocínios tortuosos e furados", disse ao Estado Harry Kopp, da firma de consultoria L.A.Motley & Co., que assessora a indústria siderúrgica brasileira. A British Steel Company ganhou recentemente uma ação contra as siderúrgicas americanas na Organização Mundial de Comércio por causa de um processo anti-subsídio semelhante ao que enfrentam hoje as empresas brasileiras do setor.
"O presidente Cardoso está numa posição confortável para perguntar a Clinton e a Rubin como eles justificam o argumento segundo o qual o Brasil, que fornece menos de 1% das compras americanas de aço no exterior, tem um déficit comercial com os EUA, está causando dano à siderurgia americana", disse Kopp. Com o Brasil vivendo uma recessão e o aumento do desemprego, "o protecionismo está ajudando a produzir o efeito contrário do que Washington pretendia quando prestou assistência financeira ao País", acrescentou ele.
Em tese, Fernando Henrique não terá dificuldade para convencer seis interlocutores, especialmente Rubin, que já criticou publicamente o protecionismo da indústria siderúrgica dos EUA. Para Clinton, no entanto, a questão é politicamente mais delicada, pois envolve as relações do Partido Democrata com o movimento sindical americano, que é protecionista, faltando pouco menos de um ano para as eleições presidenciais. Um acordo de suspensão das ações protecionistas passaria pela negociação de limites quantitativos, nos casos anti-subsídio, que são negociados pelo governo, e de acordo de preço nos casos anti-dumping, que seria tratado diretamente com as empresas. As empresas siderúrgicas brasileiras já se manifestaram dispostas a chegar a acordos desse tipo, para preservar ao menos um pedaço de seu mercado nos EUA. O governo deixou aberta a porta para um acordo sobre as ações anti-subsídios evitando, até agora, levar o assunto à OMC.


