FHC receberá comissão que discute criação do fundo de combate à pobreza
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domingo, 13 de fevereiro de 2000
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 14 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso garantiu hoje que receberá a comissão mista que está discutindo a criação do fundo de combate à pobreza. Não há data, no entanto
para a realização do encontro. A confirmação da reunião com o presidente foi dada ao senador Maguito Vilela (PMDB-GO), pelo próprio Fernando Henrique.
O anúncio da disposição de seu reunir com as lideranças partidárias foi feito pelo porta-voz do Planalto, Georges Lamazire. Mais cedo, Lamaziére tinha dito "esse não era o momento ideal" para se marcar tal reunião, "porque a proposta de criação do fundo está na Comissão de Constituição e Justiça do Senado".
Uma hora depois, o porta-voz voltou para retificar a informação, anunciando que o encontro já estava acertado.
A discussão sobre a criação do fundo para a pobreza tem dado muita dor de cabeça a Fernando Henrique. O presidente não quer criar uma área de atrito com o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), autor da idéia do fundo, mas sabe que, ao endossar a iniciativa do presidente do Congresso, desagrada o PMDB, que não se conforma também com a nova bandeira dos pefelistas de lançar o salário mínimo de US$ 100.
Medidas - A reação que era aguardada, por parte do governo, à nova interferência do Fundo Monetário Internacional (FMI) na forma de obtenção de recursos para a criação do fundo de combate à pobreza, não veio.
O governo usou dois pesos e duas medidas para reagir às acusações do FMI sobre a fonte dos recursos para o fundo da pobreza. No caso Lourenzo Perez, um funcionário de terceiro escalão da instituição, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, soltou uma enérgica nota rechaçando a interferência do organismo em questões internas.
Hoje, em relação às declarações do diretor-geral do FMI, Michel Camdessus, o Palácio do Planalto preferiu dizer que valia a mesma resposta dada a Lourenzo. "A posição do governo sobre a matéria e sobre qualquer crítica ao fundo de pobreza está contida na nota do Ministério da Fazenda da semana passada", disse o porta-voz, lembrando que não há mais nada a acrescentar. "Ali o governo já dá todos os seus argumentos porque considera que essas críticas não eram corretas", prosseguiu.
A explicação do governo para tal mudança de atitude, é que Michel Camdessus era "carta fora do baralho" e estava deixando o FMI de forma "lamentável". O auxiliar do presidente que fez a observação se referia à atitude de um manifestante que acertou uma torta de creme no diretor do FMI, durante conferência da ONU em Bangcoc.


