Brasília, 27 (AE) - O ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, entregou, hoje, ao presidente Fernando Henrique Cardoso, as primeiras imagens produzidas pelo satélite sino-brasileiro Cbers-1, lançado no último dia 14 de outubro, a partir de Taiwan, na China. As imagens mostram parte do Rio Juruá, entre as comunidades de Canindé e Eirunepê, no sudoeste do estado do Amazonas, onde a floresta ainda está preponderantemente intacta. São imagens parciais, do chamado modo de engenharia, que ainda passarão por um período de calibração e ajustes até o final deste ano.
No início de 2000, as imagens comerciais já estarão disponíveis para a comunidade de usuários, com uma política de preços compatível com sua utilização por laboratórios, universidades e empresas. "É um avanço tecnológico real, não é retórica", declarou Sardenberg. "As imagens obtidas tem valor comercial, com uma resolução de 20 metros, compatível com os padrões internacionais neste campo, portanto, além de abastecer nossas necessidades, estamos criando um mercado e, nesta perspectiva, vamos manter o processo, continuando o esforço para melhorar a qualidade tecnológica e manter a competitividade".
O Cbers é o primeiro satélite de sensoriamento remoto produzido pelo Brasil e depende de tecnologias bem mais sofisticadas do que as necessárias para construir os dois satélites de coleta de dados, SCD1 e SCD2, lançados em 93 e 98, e o satélite científico Saci-1, o "carona" do foguete chinês, que continua sem contato com as bases terrestres. Americano - As imagens do Cbers têm condições de substituir as dos satélites americanos da série Landsat - com os quais é feito o estudo dos desmatamentos na Amazônia - e dos satélites europeus da série SPOT, utilizados em análises pontuais de uso das terras.
Numa órbita sincronizada com o Sol, o satélite passa sobre o Brasil a partir das 10h30 da manhã, um horário mais favorável para a observação da Amazônia, porque tem menos nuvens. Também pode operar 3 sensores ao mesmo tempo, com imagens de alta resolução sobre a mesma área a cada 26 dias e imagens mais genéricas a cada 5 dias. Permite ainda zooms, apontados para áreas de interesse específico, com necessidade de um monitoramento mais detalhado.

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