Brasília, 26 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu hoje no Palácio da Alvorada os principais líderes do PPB para uma demonstração de apoio depois dos ataques feitos no programa eleitoral do partido pelo ex-prefeito e presidente nacional da legenda, Paulo Maluf. Embora o porta-voz da Presidência, Georges Lamazire tenha afirmado que este foi o motivo do encontro com Fernando Henrique, os parlamentares garantem que este fato específico não foi abordado.
"Do passado, a gente só guarda as coisas boas e os compromissos assumidos", afirmou o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. "O apoio do PPB ao governo é amplo, geral e irrestrito, o partido sempre votou com o governo e não há necessidade de trazer solidariedade", acrescentou. Quando os jornalistas insistiram em destacar que os ataques ao presidente foram feitos por alguém que é presidente do partido, irritado, Dornelles encerrou a entrevista: "eu não vim aqui para isso e se vocês quiserem discutir o passado eu não falo, não sou historiador." O líder do PPB no senado, Leomar Quintanilha (TO)
comentou que o presidente não revelou nenhum sentimento de mágoa em relação às críticas feitas por Maluf. "Há muitas críticas vindas de outros setores e foram críticas pontuais, não inviabilizam o apoio e a situação do partido na base governista", argumentou. Na segunda-feira (24), o deputado Delfim Neto (PPB-RJ) conseguiu acabar com o movimento dos pepebistas dispostos a tirar Maluf da presidência. Por isso, a reunião com Fernando Henrique, que seria um ato de desagravo, acabou se tornando um encontro para conversar amenidades.
Segundo alguns dos parlamentares que participaram do encontro, dois temas dominaram a conversa de mais de uma hora com o presidente: a recuperação da economia brasileira e a necessidade de maior crédito federal para a agricultura, pasta ocupada por Francisco Turra, ministro indicado pelo partido.
Quintanilha contou que Fernando Henrique abriu a conversa brincando. "Olha a demonstração de que o PPB está prestigiado no governo. Está sendo recebido no dia do aniversário do Odelmo Leão ( líder do partido na Câmara)", disse o presidente, segundo o senador.
O líder do PPB comentou ainda que Fernando Henrique falou com entusiamo sobre a recuperação econômica brasileira e que tomou a iniciativa de falar sobre as novas denúncias de seu envolvimento no processo de privatização do sistema Telebrás.
"O presidente disse que esses novos fatos não trarão mais prejuízos à economia brasileira", disse Quintanilha. O presidente ouviu do ex-ministro da Fazenda no governo Figueiredo
Delfim Neto, uma avaliação positiva do trabalho do governo.
"O ministro Delfim afirmou que há sinais de que o governo está conseguindo ter controle sobre a economia brasileira", contou o líder no Senado. "Hoje podemos tolerar altas e baixas do dólar", comentou Quintanilha. Delfim tem sido cotado como um dos nomes do partido que poderá a vir ocupar um ministério na reforma que vem sendo estudada pelo presidente.
Delfim também enfatizou ao presidente a importância de se facilitar o crédito para a compra de máquinas pesadas para a agricultura, que vem se modernizando muito. Fernando Henrique manifestou esperança de safra recorde no próximo ano de 90 bilhões de toneladas de grãos. Segundo a avaliação de Quintanilha, Fernando Henrique não estava abatido, ao contrário, bastante alegre e com muito bom humor.

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