São José dos Campos, SP, 26 (AE) - O ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, entregará amanhã (27) ao presidente Fernando Henrique Cardoso a primeira imagem feita pelo satélite de sensoriamento remoto sino-brasileiro Cbers-1, que entrou em órbita na madrugada do dia 14. A foto, que poderia ter uma resolução de 20 metros, cobre uma área de 81 mil quilôemtros quadrados na fronteira entre o Amazonas e o Acre e faz parte da fase experimental do projeto, que deve durar dois meses. Após esse período, o satélite passará a enviar imagens do território brasileiro cinco vezes por dia, durante 20 meses. As imagens ajudarão o governo a combater queimadas e desmatamentos.
Saci - Os engenheiros responsáveis pelo Satélite de Aplicações Científicas (Saci-1) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) tentam um novo procedimento para restabelecer as funções normais do aparelho. Os telecomandos enviados pelas antenas das bases do instituto foram suspensos por 30 horas, tempo suficiente para o bateria descarregar e acionar o processo de reconfiguração do computador de bordo. A esperança dos técnicos é conseguir que o computador de bordo do Saci resolva as falhas detectadas até o momento. "Mesmo assim não sabemos ainda o que está acontecendo", explica o gerente do projeto, José Angelo Neri.
Semelhante a um computador caseiro, o satélite pode ser reconfigurado a partir de um desligamento proposital. Essa descarga ocorre quando o satélite passa pelo lado escuro da Terra, denominado eclipse. Na volta ao lado ensolarado, os sistemas recebem uma nova carga de energia e dão início aos procedimentos padrões pré-estabelecidos. Neri comenta que essa tentativa que será feita no final da noite de hoje, se for bem sucedida, pode trazer uma resposta positiva do Saci.
O Inpe também aguarda uma confirmação dos técnicos da Administração Nacional de Atmosfera e Espaço (Nasa), dos Estados Unidos, sobre os dados obtidos na avaliação do Saci repassados no último final de semana. Os técnicos brasileiros recalcularam alguns procedimentos analisados pela Nasa e querem confrontar os resultados. Um deles é quanto a rotação por minuto (rpm) do satélite. O Saci gira em torno do seu próprio eixo e, pelos dados norte-americanos, ele estaria com uma rotação dez vezes menor que a necessária para seu bom funcionamento e sobrevivência. "Gostaríamos de ter mais informações", afirma o gerente do projeto.
O Saci continua dentro de sua órbita prevista, com passagem pelos pólos e sobrevoando o território nacional quatro vezes ao dia. Seus painéis solares estão abertos e não podem mais ser fechados, o que garantirá energia para as baterias internas. Os sistemas de comunicação estão sendo testados, assim como a distribuição de energia entre os vários elementos eletrônicos que compõem o satélite. O futuro do aparelho ainda é uma incógnita para os pesquisadores, que estão trabalhando em tempo integral para descobrir a falha existente e conseguir saná-la a tempo de salvar o equipamento.

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