Évora, 18 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso rebateu hoje notícias publicadas neste final de semana de que amigos do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes usavam o então diretor do BC como fonte privilegiada para vender informação. Fernando Henrique voltou a negar que a saída de Francisco Lopes do governo tenha sido por causa de vazamento de informações. "Aos meus ouvidos jamais chegou qualquer rumor nesse sentido", disse Fernando Henrique, enquanto visitava a cidade histórica de Évora, perto da fronteira com a Espanha, na região do Alentejo. "O Chico (Lopes) saiu do Banco Central por razões meramente operacionais."
O presidente referia-se à reportagem da revista Época desta semana revelando que há dois anos o governo sabia que os bancos Marka, FonteCindam e Boa Vista tinham um contrato de troca de informações privilegiadas com os irmãos Sérgio e Luiz Augusto Bragança, que foram sócios de Francisco Lopes na consultoria Macrométrica. Essas informações, segundo a matéria, eram obtidas com o ex-presidente do Banco Central. Ao ser questionado sobre os irmãos Bragança, Fernando Henrique respondeu com ironia. "Eu nem sei quem são os irmãos Bragança", disse. "São da casa de Bragança por acaso?", questionou, referindo-se a família real do Brasil.
Incomodado com a insistência dos jornalistas sobre o assunto, Fernando Henrique foi enfático: "Nunca veio a mim nenhuma informação desse tipo; nada", disse. Sobre a saída de Lopes respondeu: "O presidente, em certos momentos, tem que tomar decisões. Tomei mais de uma decisão; todas doídas para mim. Mas fiz isso porque achei que precisava ter maior rapidez nas operações; somente isto e mais nada."
Durante a rápida entrevista na cidade de Évora, Fernando Henrique disse que não gostaria de falar sobre o caso do vazamento de informação do BC e da venda de dólar feita abaixo da cotação aos bancos Marka e FonteCindam. "Acho que (o caso Marka) não tem esse vulto que está se dando", avaliou. Para o presidente, esse escândalo não prejudica a imagem do governo. "Se houver alguma coisa, é limitada", admitiu Fernando Henrique, tentando minimizar as sucessivas denúncias sobre o caso. "O Brasil é mais importante que tudo isso."
Fernando Henrique disse que durante a viagem pela Alemanha e Portugal, ele ouviu de vários "observadores" a admiração pela energia do povo brasileiro, "que ao invés de ficar atemorizado diante da inflação, lutou e continuou com a crença no País". Para ele, é necessário continuar com o ajuste fiscal. "É preciso dar mais importância às coisas que realmente tem importância", disse.

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