Volta Redonda, RJ, 22 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso rebateu hoje as críticas que tem recebido por vetar o projeto de lei que anistia políticos do pagamento de multas eleitorais relativas a 1996 e 1998. Fernando Henrique disse que o veto foi aposto por causa de "questões constitucionais" e declarou que, por ter sido candidato no ano passado, não se sentiu à vontade para sancionar o perdão das punições decretadas pela Justiça Eleitoral. Entre os deputados e senadores que aprovaram a medida, há muitos que seriam beneficiados.
"(Se sancionasse o texto) Eu estaria me beneficiando", explicou o presidente, depois de participar da inauguração da central termoelétrica da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), na Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda. Fernando Henrique rejeitou as cobranças de alguns parlamentares que têm lembrado que, no passado, como senador, ele votou a favor da anistia ao senador Humberto Lucena (PMDB-PB), acusado de uso eleitoral da gráfica do Senado. "Eu estava convencido de que o senador Lucena não estava errado dentro do regimento do Congresso", declarou. "Não era uma coisa genérica".
Segundo o presidente, o Congresso "é livre" para apreciar o veto, podendo fazer o que achar melhor. Por lei, o Legislativo pode derrubar a decisão do presidente e fazer valer a proposta que aprovou originalmente. "Eu posso vetar, o Congresso depois decide o que quiser", disse. Ele afirmou que o debate do veto "não tem nada a ver com a pauta da convocação extraordinária" do Legislativo que vai se reunir em janeiro. "A convocação trata de interesses não nossos, dos políticos, mas do Brasil", afirmou. "Vamos ter que votar uma porção de matérias, e o Congresso tem responsabilidade e vai votar".
Fernando Henrique não respondeu a perguntas sobre outros assuntos, evitando, assim, tocar num tema delicado: a crise no Ministério da Defesa e na Força Aérea Brasileira. Otimismo - O presidente encerrou a cerimônia na Usina Presidente Vargas com um balanço de 1999 marcado por um discurso otimista. "Este ano foi difícil no Brasil, as crises internacionais nos afetaram profundamente", disse. Assinalou que todos os indicadores sociais do País estão melhorando e citou exemplos. "Se nos quatro primeiros meses deste ano pudemos gerar apenas 14 mil empregos, nos primeiros sete já geramos mais de 500 mil"
afirmou, citando dados que, disse, são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Fernando Henrique declarou que em todos os níveis a educação melhorou e que no Plano Real a renda média das famílias subiu 27% no País. "O ano de 1998 - não temos ainda os dados relativos a 1999 - foi o de maior renda domiciliar da história do Brasil", discursou. "Aqueles que saíram da linha da pobreza são 20% dos que estavam abaixo em 1994". Para o presidente, isso significou cerca de 10 milhões de pessoas que melhoram de vida. "Embora em 1999, pelas dificuldades, talvez não tenhamos conseguido avançar mais, pelo menos não houve retrocesso", disse.

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