FHC reaproxima-se de Tasso e ACM
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Isabel Braga e Carmen Kozak 
Brasília, 18 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso almoçou hoje no Palácio do Alvorada com o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), a quem tinha feito críticas, entrevista à revista Época, no carnaval. Perguntado se o almoço era um sinal de aproximação, Tasso respondeu: "Não houve distanciamento." Também hoje, FHC teve seu primeiro encontro com o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que há dois meses briga com o governo por conta do salário mínimo. Foi cerimônia de inauguração do parque gráfico do jornal Correio Braziliense. ACM tentou demonstrar que não há crise. Para reforçar essa suposta aproximação, disse, rindo: "Só não fizemos sexo."
A resposta foi dada depois que os repórteres perguntaram porque o senador estava com uma expressão sisuda ao lado de Fernando Henrique durante a cerimônia."Eu não; eu estava até no maior amor com o presidente", brincou.
Os articuladores da aproximação de ACM com Fernando Henrique pretendem que eles tenham uma conversa a sós na Sexta-Feira Santa (21), provavelmente na Ilha de Comandatuba, na Bahia, onde estarão participando das comemorações dos 500 anos do descobrimento. A operação está sendo conduzida há duas semanas. Participam dela os ministros Pedro Parente, da Casa Civil, e Aloísio Nunes Ferreira, da Secretaria-Geral da Presidência, e integrantes da ala baiana do PFL.
Depois de resistir aos argumentos, ACM começou a ceder. Baixou o tom do discurso em favor de um salário mínimo superior aos R$ 151 e amenizou o apoio às manobras de obstrução das votações do Congresso conduzidas pelos partidos de oposição. Nas conversas com a imprensa tem repetido que não tem problemas em relação ao presidente e que a questão do mínimo é pontual. "A aliança não está em discussão", diz o presidente do Senado.
Mas ACM não abre mão de tentar votar a medida provisória do salário mínimo no próximo dia 26. "Vou votar porque está marcado", repetiu ACM. "Se não houver acordo, vai ter sessão"
avisou, negando que isso seja confronto com o Planalto. Assim como os interlocutores de Fernando Henrique, ACM passou a responsabilizar a imprensa pelas "supostas" divergências entre eles. "Ele (Fernando Henrique) já me explicou que vocês (jornalistas) é que fizeram um inferno."
O almoço oferecido por Fernando Henrique ao Tasso balizou a reaproximação dos dois. O governador cearense saiu do encontro defendendo a preservação da aliança nacional que dá sustentação ao governo, mas não abriu mão do apoio à candidatura da ex-mulher do presidenciável Ciro Gomes, Patrícia Gomes (PPS), à prefeitura de Fortaleza. "As alianças municipais não são obrigadas a repetir a aliança nacional, se fosse o PSDB não poderia estar coligando-se ao PT para disputar a prefeitura de Rio Branco", afirmou Tasso.
Tasso evitou comentar as recentes divergências que o levaram ao distanciamento do presidente. A gota dágua, confirmam parlamentares cearenses, foi a entrevista concedida por Fernando Henrique, em fevereiro, à revista Época. Nela o presidente responsabilizou Tasso por sua derrota no Ceará na campanha para a reeleição e criticou sua opção política regional por Ciro Gomes, dando a entender que com isso Tasso estava excluído da sucessão presidencial. "Não foi um encontro de reaproximação, por que não havia distanciamento; foi um almoço para colocar a conversa em dia", disse diplomático.
Tentando demonstrar que está disposto à reaproximação, Tasso defendeu a união dos partidos aliados e o fim às divergências. "Politicamente, é importante que a aliança seja mantida e as diferenças menores deixadas de lado para preservar o crescimento econômico." O governador disse concordar com a avaliação do presidente Fernando Henrique de que o Brasil superou a fase mais delicada da estabilização econômica.
"Estamos com as portas abertas para o crescimento." Por isso, defendeu a aprovação do mínimo de 151 reais.


