FHC reage às críticas de ACM
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domingo, 12 de dezembro de 1999
Por Tânia Monteiro Enviada especial 
Buenos Aires, 12 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso reagiu hoje às críticas feitas pelo presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães, em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo", particularmente a de que possui "espírito conciliador". "Cada um tem o seu estilo e eu não vou mudar o meu", avisou Fernando Henrique, ao lembrar que ele é presidente da República e, Antônio Carlos, do Senado e, se cada um mantiver o seu estilo e sua esfera de competência, o Brasil avança. "Como disse Antônio Carlos na entrevista, eu vivo engolindo sapos pelo bem do Brasil", concordou o presidente. FHC aproveitou para estender as suas críticas ao comportamento dos demais políticos brasileiros, ao falar sobre o que espera para o próximo ano. "(Gostaria) que os políticos entendessem que o importante é o País e não o interesse de cada um". Em seguida, ironizou: "mas aí é aspiração demais". Fernando Henrique regressou hoje ao Brasil, depois de seis dias fora do País, cinco deles em Buenos Aires. Orçamento - O presidente quer que o Congresso aprove, ainda esta semana, a prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal e, se possível, o orçamento. Mas, se o orçamento não for possível, na sua opinião, será ruim, "mas não é o fim do mundo". Porém, ele fez questão de ressaltar que, como o senador Antônio Carlos mesmo disse, o Congresso tem aprovado "quase tudo" que pediu. Para o presidente, o controle do déficit é a base para um País melhor. Segundo ele, esta é a sua receita, assim como a de seu novo colega da Argentina, Fernando de la Rúa.
Em sua opinião, "não é o modelo que está errado" para se conseguir superar os problemas, "mas a realidade é que é contraditória e conflitiva". FHC defendeu as privatizações e o ex-presidente Carlos Menem, ao insistir que ele deixou o governo depois de ter mudado radicalmente a Argentina, para melhor. O presidente observou, no entanto, que Menem, apesar de ter ficado dez anos no poder, por causa das sucessivas crises financeiras, não teve tempo de retomar o crescimento no País. "Eu tenho tempo e vou repor, não tenho dúvidas", assegurou.
Para Fernando Henrique Cardoso, não há receita para governar o País; ele, no entanto, ressalvou que os rumos dependem das "circunstâncias e dos desejos". Descanso - O presidente brasileiro passou o fim de semana descansando em Buenos Aires. Hoje, passeou pela Recoleta, o bairro mais nobre e turístico da cidade, onde foi aplaudido pelos populares ao entrar no Café La Biella. Depois, almoçou no sofisticado restaurante Las Lillas, em Porto Madero, em companhia de dona Ruth e auxiliares, regressando a Brasília às 17 horas.
Na noite de sábado, durante jantar na Embaixada do Brasil, assistiu a uma apresentação da cantora de tango Cheché que estava acompanhada de uma orquestra. Entrevista - A seguir, os principais trechos da entrevista do presidente: Estilo - Cada um tem o seu estilo. O Antônio Carlos tem o seu estilo, eu tenho outro. Eu sou o presidente da República, ele é o do Senado. Se nós nos mantivermos, cada um, como temos feito, nas nossas esferas de competência, com o nosso estilo, o Brasil avança. As pessoas não podem ser iguais. Não devem ser iguais. Ele mesmo disse e eu concordo, o Congresso aprovou praticamente tudo que eu pedi. De modo que eu não vou mudar de estilo não. Comando - Não adianta ter personalidade desse ou daquele tipo. Eu tenho de ser capaz de navegar, temos de manter a coesão social. Temos de pilotar, navegar. Ritmo - A situação social melhorou, segundo o IBGE, mas não se sente. O desemprego também diminuiu. Para o gosto da gente, quanto mais depressa (for a mudança e a melhoria), melhor. Uma sociedade não obedece a um apito. Presente - Quero saúde para mim e para todos os brasileiros, educação e que o povo viva melhor. É claro que é preciso ter os pressupostos para isso: mais emprego, mais crescimnto econômico, não haver inflação. Se for possível melhorar a vida do povo, eu já ficarei contente. Receita - Um país não se governa por receitas. Não existe ciência nem na economia, nem na política. O Brasil nunca seguiu receita nenhuma. Seguimos nossas circunstâncias, o que achamos que é importante fazer a cada momento. Crescimento - Estamos em um momento em que uma crise financeira afetou muitos países. O Menem (ex-presidente da Argentina) saiu antes de repor o crescimento. Eu tenho tempo e não tenho dúvidas de que vou repor. Mas não tenho bola de cristal. Quem sabe o que vai acontecer com o mundo no futuro? Não é questão de receita. Políticos - Gostaria que os políticos entendessem que o importante é o País e não o interesse de cada um. Mas aí já é muita aspiração demais. Inflação - Nós brasileiros estamos vacinados contra a inflação. Não queremos mais. Estamos sempre olhando para isso. Tomamos medidas e isso (aumento da inflação) não vai ocorrer porque o governo está atento. Votações - Até a semana que vem seria bom votar o FEF e o Orçamento porque quando não se vota o Orçamento, dá-se ao governo um poder muito grande. O governo passa a usar duodécimos
passa a gastar 1/12 do Orçamento e não é bom. É melhor para o Congresso que vote mesmo o Orçamento, embora nenm sempre seja possível porque ele é uma peça muito complexa. Nós muitas vezes votamos o Orçamento em janeiro e o mundo não vai acabar por causa disso.


